Victoria Jones/AP
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Harry e William se reencontram no funeral do avô príncipe Philip

Irmãos conversaram durante cerimônia, mas a relação entre os dois ainda é instável após mal-estar causado pelas acusações de Harry e de sua mulher, Meghan Markle, de haver racismo na monarquia

Kátia Mello, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2021 | 17h17

Com precisão militar, o funeral do príncipe Philip, neste sábado, 17, no Castelo de Windsor, aconteceu como ele próprio havia planejado: uma breve procissão fúnebre, seguida por um serviço religioso restrito e um enterro privado. Porém, devido à pandemia de coronavírus, a cerimônia foi para um número pequeno de convidados.

Do momento em que seu caixão foi retirado do Castelo de Windsor até o instante em que seu corpo foi baixado, na abóbada real do Palácio de Buckingham, tudo constava nos planos do duque de Edimburgo.

Entre as minúcias, estava o fato de o caixão do duque ser coberto com sua espada, seu boné naval e seu estandarte pessoal. “Fomos inspirados por sua lealdade inabalável à nossa rainha, por seus serviços à nação e à Comunidade, por sua coragem, fortaleza e fé”, disse o reitor de Windsor David Conner.

A morte do príncipe Philip, um homem conhecido por seu pragmatismo, levanta importantes questões sobre o futuro da realeza britânica. De saída, sua morte marca o fim de um capítulo não apenas para a família real britânica, mas para a própria monarquia europeia. Philip pertencia àquele mundo cosmopolita de realezas inter-relacionadas que governou a Europa antes da primeira guerra mundial, que foi amplamente varrido pelo tempo, guerra ou revolução.

A segunda questão refere-se à longevidade da rainha Elizabeth II, que completa 95 anos nesta quarta-feira, 21. Na cerimônia, a rainha apareceu com uma dama de companhia em um Bentley oficial e se juntou à retaguarda do cortejo enquanto o hino nacional, “God Save the Queen”, tocava. 

Na capela, a monarca chegou a se sentar só para dizer adeus ao marido, o homem com quem ela se casou quando ainda era uma princesa, em 1947, e cuja morte a deixa sozinha no crepúsculo de seu reinado.

Philip, que morreu na sexta-feira, 9, faltando apenas dois meses para seu 100.º aniversário, foi o responsável por quebrar algumas das rígidas regras da monarquia britânica. Além de retirar a função de pentearem os cabelos dos membros da realeza, foi dele a ideia de que a rainha devesse se encontrar com pessoas de várias origens.

O príncipe nasceu em 10 de junho de 1921 na ilha grega de Corfu, o mais novo e único filho homem do príncipe Andrew da Grécia e da princesa dinamarquesa Alice de Battenberg. Um ano após seu nascimento, a família foi banida da Grécia por um golpe, fato que marcaria para sempre sua vida. 

O contendor de conflitos

Suas maneiras espartanas, que se iniciaram ainda em tempos escolares na Grã-Bretanha, e, portanto, muitos anos antes de ele ingressar na academia naval, em Dartmouth, lhe conferiam a fama de homem rígido. Vários especialistas reais asseguram, inclusive, que era ele quem conduzia à mão de ferro a família marcada por crises, ajudando a rainha a resistir aos escândalos.

O mais recente deles é entre os príncipes Henry e William, cujo relacionamento encontra-se tenso. Justamente o funeral do avô foi palco para o reencontro entre os irmãos, uma vez que Harry deixou a família real e foi para o Canadá com a mulher, Meghan Markle – hoje, o casal vive na Califórnia com o filho Archie. 

Harry, de 36 anos, abalou a monarquia há um ano quando decidiu abandonar suas funções reais. Em março, numa entrevista bombástica à apresentadora Oprah Winfrey, o casal acusou a monarquia de racismo e Harry declarou sentir pena do pai e irmão, falas que causaram mal-estar no reino. Essa foi a primeira aparição pública de Harry com a realeza desde a entrevista. 

Durante o cortejo de oito minutos até a capela de St. George, William e Harry caminharam juntos, atrás da Land Rover que levou o caixão do duque de Edimburgo, mas não ficaram lado a lado. Entre eles estava o primo Peter Phillips, filho da princesa Anne.

Na capela, durante o culto do arcebispo de Canterbury, os netos da rainha Elizabeth se sentaram em lados opostos, um de frente para o outro. William se sentou ao lado da esposa, Kate Middleton, e Harry, sozinho.

Meghan, que está grávida do segundo filho, não foi ao Reino Unido por recomendações médicas, assistindo a cerimônia pela TV. A duquesa de Sussex enviou uma carta escrita à mão e flores de origem local em homenagem à Philip.

Os fotógrafos registraram as esperadas imagens de Harry e Kate conversando. O segundo na linha de sucessão à coroa britânica diminuiu os passos para que o casal o alcançasse, e assim, caminharam lado a lado. 

Entre os presentes, estavam também Camilla Parker-Bowles, mulher de Charles, todos os netos do duque e suas mulheres, os filhos da irmã da rainha – a princesa Margaret, morta em 2002 – e três parentes alemães de Philip. 

Se a morte do avô irá aproximar Harry e William, isso ainda permanece como incógnita. / COM AFP 

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