Jae C. Hong/AP
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Harry Reid, ex-líder democrata e crucial para vitória do Obamacare, morre aos 82 anos

Como líder da maioria democrata no Senado, o político de Nevada atuou combativamente no Congresso na negociação que levou à aprovação da lei de saúde do presidente americano

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2021 | 00h00

WASHINGTON - Harry Reid, ex-líder da maioria democrata no Senado americano, morreu nesta terça-feira, 28, aos 82 anos. O combativo político de Nevada, que saiu da pobreza para se tornar um importante político em Washington, ganhou a reputação de um feroz lutador partidário durante uma era de impasse político na capital americana. 

Reid, um ex-boxeador amador que representou Nevada no Congresso dos EUA, como democrata, por mais de três décadas, morreu depois de uma longa batalha contra o câncer de pâncreas, segundo sua mulher Landra, em um comunicado. "Estamos muito orgulhosos do legado que ele deixa tanto no palco nacional como no seu amado Nevada", disse Landra Reid.

Como líder da maioria, Reid foi o homem escolhido pelo então presidente Barack Obama para ajudá-lo a garantir a aprovação no Congresso da lei de saúde, conhecida como Obamacare, em 2010, sobre a furiosa oposição republicana.

Obama postou na terça-feira uma carta recente que ele tinha escrito para Reid: "Você foi um grande líder no Senado e, logo no início, foi mais generoso comigo do que eu tinha o direito de esperar", disse Obama, na carta. "Eu não teria sido presidente se não fosse por seu incentivo e apoio, e eu não teria feito a maior parte do que eu fiz sem a sua habilidade e determinação." 

Reid se aposentou em 2016, um ano depois de sofrer um acidente doméstico e quebrar costelas e ossos faciais e ferir um olho enquanto se exercitava. 

Ele ascendeu ao cargo de líder da maioria em 2007, após os democratas ganharem o controle do Senado. Apesar de ser um político moderado que se diferenciava de outros em seu partido em questões como aborto, meio ambiente e controle de armas, Reid regularmente entrava em confronto com os republicanos e mantivera relações ruins com líderes congressistas do partido da oposição.

"Eu sempre preferi dançar do que lutar, mas eu sei como se luta", disse Reid em 2004, em uma referência à sua carreira no boxe.

Em 2012, Mitch McConnell, então o principal republicano do Senado, rotulou Reid como "o pior líder no Senado de todos os tempos", enquanto Reid acusou McConnell de violação de fé em um assunto importante.

Durante o tempo de Reid como líder da maioria, legislações importantes definharam porque democratas e republicanos não puderam fazer compromissos. Seu relacionamento com McConnell era tão tenso que o líder republicano evitou Reid durante um período crucial nos EUA de conversas sobre política fiscal e tratava diretamente com o então vice-presidente Joe Biden.

Em 2013, farto de bloqueios de movimentos processuais republicanos para a indicação de nomes para o Poder Judiciário e Executivo de Obama, Reid pressionou no Senado por uma mudança histórica para obstrução, impedindo um partido minoritário de bloquear indicações presidenciais exceto aquelas para a Suprema Corte. 

"Tem havido uma obstrução inacreditável e sem precedentes", disse Reid a seus colegas senadores, referindo-se aos republicanos. “O Senado é uma coisa viva e, para sobreviver, ele deve mudar conforme tem feito ao longo da história este grande país."

Os republicanos disseram que a ação foi uma tomada de poder nua e crua.

Caucus de Nevada

Eleito para a Câmara dos Estados Unidos em 1982, Reid serviu no Congresso por mais tempo do que qualquer outro político na história de Nevada. Ele evitou por pouco a derrota em uma corrida para o Senado em 1998, quando derrotou o republicano John Ensign, então membro da Câmara, por 428 votos em uma recontagem que se estendeu até janeiro. 

Depois de sua eleição como líder da maioria no Senado, em 2007, ele foi creditado por colocar Nevada no mapa político, pressionando para mover os caucuses do Estado para fevereiro, no início da temporada de nomeações presidenciais. 

Isso forçou cada partido nacional a despejar recursos em um Estado que, embora tenha o crescimento mais rápido do país nas últimas duas décadas, ainda tinha apenas seis votos no Colégio Eleitoral. A extensa rede de trabalhadores de campanha e voluntários de Reid ajudaram Obama a vencer no Estado por duas vezes. /REUTERS e AP

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