Hatoyama consegue formar governo de coalizão no Japão

Futuro premiê diz que acordo com partidos menores atende a pedidos de mudança na política do país

09 de setembro de 2009 | 08h48

O Partido Democrata do Japão (PDJ), vencedor das eleições legislativas no país, chegou a um acordo de coalizão nesta quarta-feira, 9, com outros dois partidos menores, garantindo a nomeação do líder da legenda, Yukio Hatoyama, como primeiro-ministro.

 

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"Finalmente chegamos a um acordo", anunciou o número dois do PDJ, Katsuya Okada, após a reunião com os líderes do esquerdista Partido Social Democrata (PSD), Mizuho Fukushima, e do Novo Partido do Povo (NPP), Shizuka Kamei, de direita. As negociações começaram há uma semana, depois da ampla vitória do (PDJ), que acabou com 54 anos quase ininterruptos de governo do Partido Liberal Democrático (PLD)

 

O futuro primeiro-ministro Yukio Hatoyama disse que o novo governo de coalizão que definiu com duas forças minoritárias responde aos "pedidos de mudança" da sociedade japonesa. As três forças decidiram rever o atual status das forças militares dos Estados Unidos no Japão e examinar "como enfrentar a presença militar dos EUA" no arquipélago, a pedido do PSD. Em seu programa eleitoral, o Partido Democrático defendeu renegociar os acordos sobre a mobilização de tropas americanas em território japonês, que inclui cerca de 50 mil militares.

 

Após assinar o acordo de coalizão na Dieta (Parlamento japonês), em meio a uma grande expectativa, o líder do PD disse que o futuro governo "atuará para o bem do povo" e fará um "esforço para atender à voz dos cidadãos". Hatoyama confirmou também que os dois partidos minoritários estarão no novo governo em cargos ministeriais e que será formado um comitê para que as três forças da coalizão possam coordenar suas políticas.

 

Hatoyama, de 62 anos, será eleito primeiro-ministro pela Dieta (Parlamento) no próximo dia 16, após vencer por maioria absoluta as eleições gerais de 30 de agosto. O PD obteve 308 das 480 cadeiras da Câmara Baixa, enquanto o Partido Social Democrata conseguiu sete e o Novo Partido do Povo, apenas três, mas Hatoyama insistiu durante a campanha em seu desejo de governar em coalizão. No Senado, o Partido Democrático é a força majoritária, mas em minoria, e precisa do apoio desses dois paridos minoritários para levar adiante seus projetos de lei.

 

A vitória da oposição reflete a insatisfação dos japoneses com os liberais, vistos cada vez mais como defensores das grandes corporações e da poderosa burocracia do país. Segunda maior economia do mundo, o Japão passa por sua mais grave crise do pós-guerra, que provocou reduções do salário real, desemprego recorde e uma sensação de insegurança pouco familiar aos que experimentaram os anos de expansão da década de 80.

 

Engenheiro formado pela Universidade de Tóquio, com pós-graduação em Stanford, nos EUA, Hatoyama terá ainda o desafio de se diferenciar dos políticos que derrotou. Apesar do discurso reformista, Hatoyama integrava o PLD até 1993, quando passou para a oposição. Além disso, ele foi beneficiado pela hereditariedade que domina a política japonesa. O avô de Hatoyama foi premiê e seu pai, chanceler, em governos do PLD.

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