Havana deverá unificar moeda até 2016

Como todas as reformas previstas nos Lineamentos da Política Econômica e Social - as diretrizes do governo de Raúl Castro, tornadas públicas em maio de 2011 - a unificação do câmbio em Cuba deverá ser aplicada até 2016. Um peso conversível (CUC, que tem atualmente o valor em torno de US$ 1) vale 24 pesos "comuns" (CUP).

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2014 | 02h00

A moeda forte é usada sobretudo no turismo e no comércio não subsidiado pelo Estado, majoritariamente de importados, enquanto que a moeda fraca serve para o governo pagar seus funcionários. Pouco a pouco, a intenção da Havana é desvalorizar a moeda forte enquanto valoriza a moeda fraca. Quando o regime anunciou oficialmente o início da unificação monetária, em outubro, experimentos com um câmbio "único" - em que o CUC, desvalorizado, valeu 10 CUP - eram aplicados em alguns setores da economia.

Funcionário da Direção de Política Monetária do Banco Central de Cuba por sete anos, antes de atuar no Centro de Estudos da Economia Cubana, da Universidade de Havana, entre 2006 e 2012, o economista Pavel Vidal disse ao Estado que o ensaio ocorreu principalmente na indústria açucareira, nas relações comerciais entre empresas de turismo e produtores rurais do mercado privado e em cooperativas de transporte. "Mas não se sabe quais foram os resultados", disse.

Segundo o especialista, porém, os experimentos comprovam que desvalorizações "drásticas", mesmo que graduais, serão inevitáveis no processo de unificação monetária. "Isso terá um custo inflacionário no curto prazo - e os benefícios somente serão notados no médio prazo, em dois ou três anos", afirmou, citando as consequências do aumento nas exportações causado pela desvalorização da moeda forte.

Vidal prevê a quebra de empresas que dependam de importações, principalmente as estatais - que, mesmo se orientadas ao mercado externo, se não passarem por reformas, poderão "não aumentar as exportações" mesmo com um câmbio desvalorizado. Para o economista, o maior desafio será solucionar a "brecha temporal" entre problemas decorrentes da desvalorização monetária, que são "imediatos" e os benefícios no médio prazo. "Normalmente, os países controlam o câmbio com suas reservas ou, se não as têm, pedem ajuda ao FMI ou ao Banco Mundial. Por isso, o isolamento e a falta de divisas de Cuba serão problemáticos nessa transição. O maior benefício será a unificar a moeda."

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