Havel deixa a presidência da República Checa

Vaclav Havel, o dramaturgo dissidente que liderou a revolução que derrubou pacificamente o comunismo na antiga Checoslováquia há mais de 13 anos, está terminando seu mandato como presidente hoje. O cargo que ele deixa permanece vago depois de duas tentativas malsucedidas do Parlamento checo para eleger seu sucessor. Os poderes do presidente - em grande parte um cargo cerimonial - serão compartilhados pelo primeiro-ministro e o líder da câmara baixa do Parlamento, até que possa ser encontrado um sucessor.O fracasso do Parlamento em eleger um presidente reflete as dificuldades que os deputados têm para escolher um sucessor para Havel, uma figura legendária que liderou a antiga Checoslováquia na transição do comunismo para a democracia e a economia de livre mercado.Ele foi eleito presidente da Checoslováquia em dezembro de 1989 depois dos tumultuados eventos que levaram à queda do comunismo. Depois disso, o país dividiu-se em dois em 1993, surgindo assim a República Checa e a Eslováquia. Havel tornou-se o presidente da República Checa. A Constituição não permite que ele exerça o mandato pela terceira vez.O presidente deve entregar formalmente o cargo para o primeiro-ministro, Vladimir Spidla, e o líder da câmara baixa do Parlamento, Lubomir Zaoralek, numa cerimônia programada para hoje à noite. Também deverá fazer um discurso de despedida, na TV checa. Símbolo da resistênciaHavel, que foi um dos líderes do movimento de direitos humanos Carta 77, ficou internacionalmente conhecido como o símbolo da resistência à opressão do comunismo. Como presidente, lutou para continuar com as intensas atividades apesar de um longo histórico de problemas respiratórios, que remontam ao período em que estava nas prisões comunistas. Havel é um ex-fumante inveterado e teve um terço de seu pulmão retirado, em dezembro de 1996, depois que se descobriu que estava com câncer. Desde então sofre de bronquite.

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