Haverá aumento no número de mortes no Afeganistão, alerta Reino Unido

Secretário de Defesa britânico diz que retirada prematura de tropas é um movimento arriscado

Reuters

30 de junho de 2010 | 15h06

WASHINGTON - O secretário de Defesa do Reino Unido, Liam Fox, avisou aos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nesta quarta-feira, 30, contra a retirada prematura de forças do Afeganistão e disse que eles devem preparar seus efetivos para mais baixas na coalizão.

 

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Fox disse que retiradas prematuras arriscam espalhar a guerra civil, desestabilizando ambos o Afeganistão e seu vizinho que possui armas nucleares, o Paquistão.

 

"Uma retirada prematura também mancharia a credibilidade da Otan, que tem sido a pedra angular de nossa defesa no Ocidente por mais de meio século", disse Fox em um discurso na Heritage Foundation, uma consultoria conservadora em Washington.

 

As mortes nos meses recentes aumentaram vertiginosamente ao mesmo tempo que a campanha contra a insurgência se espalhou pelo sul do Afeganistão. O general americano David Petraeus, nomeado para liderar as tropas da coalizão internacional na guerra depois da demissão de seu predecessor, advertiu que a violência pode se intensificar nos próximos meses. "Por isso, temo, estamos prestes a ver um número maior de baixa nas tropas durante o verão afegão", disse Fox, que chamou Petraeus de "um líder talentoso".

 

Os militares americanos deram declarações semelhantes e dizem que a violência deve aumentar em setembro, quando começar uma operação de investida em Kandahar, um dos maiores redutos do Taleban. "Os líderes políticos e militares da Otan precisam preparar seu público para isso", disse Fox.

 

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, decidiu enviar mais soldados para o Afeganistão e disse que as forças de seu país não "ficarão um único dia a mais" que o necessário. Para manter o apoio, Fox disse que seria importante definir os objetivos da missão. "Nosso propósito é degradar e dominar a ameaça terrorista que vem da região para assegurar que a Al-Qaeda não volte ao Afeganistão", disse.

 

A guerra no Afeganistão já dura nove anos e mais de mil soldados das forças internacionais morreram nesse período. Atualmente, cerca de 140 mil militares compõem a aliança militar que luta no país e a Otan diz que os terroristas estão sendo derrotados, embora o número de baixas nas tropas tem crescido nos últimos meses.

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