Haxixe é firme aliado dos combatentes da jihad

A um quilômetro da fronteira afegã, em Chaman, um grupo de oito homens conversa animadamente sobre suas intenções de ir ao Afeganistão para juntar-se à jihad (guerra santa).O consumo de álcool é proibido em todo o Paquistão, mas o tom belicoso - e as muitas bravatas - do grupo é movido por um combustível mais forte: haxixe.A droga é produzida no próprio Paquistão - diferentemente do ópio e da heroína, processados no Afeganistão e traficados pelo porto paquistanês de Karachi - e seu preço é baixo.Segundo um dos consumidores entrevistado pela Agência Estado, um pacote de 100 gramas custa 200 rúpias - menos de US$ 5.O haxixe vem prensado numa barra comprida e fina, com um milímetro de espessura. O consumidor pode dobrá-la ou enrolá-la e guardá-la no bolso.Pode ser encontrado nas tendas de beira de estrada que vendem gasolina e refrigerante e, em regiões pashtu, como Chaman, e nas áreas tribais do Baluchistão e da Província da Fronteira Noroeste, o consumo é generalizado e pouco reprimido.?Todo mundo aqui quer ir para o Afeganistão para matar pelo menos um americano?, diz à AE um dos participantes da roda, referindo-se aos comandos das forças especiais dos EUA que estão agindo em território afegão.Enquanto fala, o paquistanês espalha a massa de haxixe nos dentes. Outros, desfazem a mesma massa e a misturam com o fumo do cigarro comum.O Afeganistão também produzia haxixe até dois anos atrás, mas a droga foi banida pelo regime taleban por causa do grande aumento do número de viciados entre os pashtus afegãos.A roda, sentada no chão na frente da casa de um dos consumidores, numa mal iluminada travessa de Chaman, não é formada unicamente por jovens.Muitos anciãos aproximam-se dela, riem com os demais participantes e, depois de saudá-los um a um, vão embora.Alguns fazem uso da droga. Outros, não. Indiferentemente discutem, no indecifrável idioma pashtu, a situação do Afeganistão e bebem chá verde com leite - que, a intervalos de mais ou menos dez minutos, um garoto serve para o grupo.O repórter da AE pergunta aos poucos debatedores sobre o que poderia acontecer se a polícia os apanhasse usando haxixe na rua. "Nada. Sem problemas", respondeu um deles. "Chaman é uma cidade muito pequena e nós conhecemos todos os policiais daqui."Pelas leis paquistanesas, o consumo de drogas sujeita o infrator a pena de prisão leve e possível internamento forçado em clínicas de desintoxicação. O tráfico, se comprovado e no caso das drogas derivadas da papoula, como o ópio e a heroína, pode ser punido com penas de prisão superiores a 15 anos. No caso do haxixe, porém, a tolerância nas áreas pashtus é bem maior."Não usamos haxixe para nos meter em confusão ou causar problemas no trânsito", prosseguiu o consumidor. "Usamos só enquanto estamos conversando antes de dormir."O repórter perguntou ao grupo se algum deles era viciado na droga. Todos disseram que não, antes de darem outra resposta, na qual admitiram consumir haxixe todas as noites.Leia o especial

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