''''Hecatombe'''' temida por Uribe é falta de candidato único para 2010, dizem aliados

Líderes da coalizão governista na Colômbia interpretaram a declaração do presidente Álvaro Uribe de que poderia candidatar-se a um terceiro mandato em 2010 caso houvesse uma "hecatombe" como um apelo para a união de seus partidários. O assessor presidencial José Obdulio Gaviria afirmou que, ao usar essa expressão na quinta-feira, Uribe estava pedindo à base governista que tente encontrar um candidato único para as próximas eleições. "O presidente pediu unidade, porque sem unidade haverá uma catástrofe."Para concorrer novamente, Uribe - reeleito para um segundo mandato em maio de 2006 com 62% dos votos - teria de promover mais uma reforma na Constituição. O secretário-geral da coalizão governista, Luis Guillermo Giraldo, disse que a "hecatombe" à qual Uribe se referiu já estaria em andamento, porque "é muito difícil" escolher um candidato único. "A hecatombe acontecerá caso as forças que apóiam o presidente não consigam concordar sobre um candidato, e um escolhido do Pólo Democrático ou do Partido Liberal ganhe as eleições", acrescentou Guillermo Giraldo, referindo-se aos partidos de oposição. Ele disse que já começou a recolher assinaturas para dar início a uma campanha por um referendo para um novo mandato de Uribe.A oposição colombiana criticou duramente as declarações de Uribe. "Uma hecatombe política e democrática para o país é o presidente querer novamente ajeitar a Constituição à sua vontade e com isso buscar perpetuar-se no poder", disse o senador liberal Juan Fernando Cristo. "Está comprovado o messianismo do atual presidente", afirmou o líder do Pólo Democrático, Carlos Gaviria. "(Uribe) acha que, se houver uma hecatombe, só ele poderá enfrentá-la."

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