Helicóptero policial protesta sobre Corte e Maduro denuncia ataque 

Agente do corpo de investigações científicas foi fotografado com outros agentes a bordo da aeronave com uma faixa que faz alusão ao artigo da Constituição que fala em desconhecer 'qualquer regime' que contrarie as 'garantias democráticas' 

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2017 | 22h12

CARACAS - Um inspetor da polícia científica da Venezuela, identificado como Oscar Pérez, sobevoou nesta terça-feira, 27, a sede do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ)  do país em Caracas em um helicóptero dessa corporação com uma mensagem pela "liberdade" do país. Mais tarde, em um vídeo, pediu a renúncia do presidente Nicolás Maduro. 

 

O presidente, por sua vez, disse se tratar de um "ataque terrorista" e afirmou que foram lançadas "duas granadas" do helicóptero contra a Corte. "Toda a Força Armada foi acionada para defender a tranquilidade. Mais cedo ou mais tarde, vamos capturar o helicóptero e aqueles que realizaram esse ataque terrorista", afirmou o presidente, em um evento público para celebrar o Dia do Jornalista no Palácio Miraflores. 

O agente do corpo de investigações científicas (CICPC) foi fotografado com outros agentes a bordo da aeronave com uma faixa na qual se lia "350 liberdade", em alusão ao artigo da Constituição que fala em desconhecer "qualquer regime" que contrarie as garantias democráticas." 

Enquanto acontecia o sobrevoo, pela conta de Pérez no Instagram era transmitido um vídeo no qual ele lia um comunicado, acompanhado por outros quatro militares encapuzados. Nele, o inspetor pedia aos venezuelanos para "ir a cada base militar" do país. 

"Somos uma coalizão entre funcionários militares, policiais e civis em busca do equilíbrio e contra este governo transitório criminal. Não pertencemos e nem temos tendência político-partidária, somos nacionalistas, patriotas e institucionalistas", diz o inspetor. 

Segundo ele, estava ocorrendo no país uma "mobilização aérea e terrestre" para "devolver o poder ao povo democrático" e, assim, "cumprir e fazer cumprir as leis para restabelecer a ordem constitucional". Ele também pede a Maduro que "renuncie imediatamente" com seu gabinete e "eleições gerais sejam convocadas imediatamente".

Pérez afirmou que é dever dos funcionários de segurança do Estado desarticular os "grupos paramilitares" e, segundo ele, "esse combate" é contra a "impunidade imposta por esse governo", contra a "tirania" e contra a "morte de jovens que lutam" por seus direitos. 

Ele pediu a "todos os venezuelanos" que se dirijam a todas às bases militares". Ele assegurou que seu ato tinha o objetivo de fazer com que os venezuelanos "se reencontrem como irmãos com as forças armadas" e "recuperem a Venezuela". 

No momento em que o helicóptero sobevoou a sede do Supremo foram ouvidas algumas explosões, segundo disseram alguns moradores da região nas redes sociais. As imediações do Tribunal Supremo de Justiça, no oeste de Caracas, foram reforçadas com cordões policiais. 

A situação ocorre em meio a uma onda de protestos contra o governo e manifestações a seu favor que se iniciaram em abril e se tornaram violentas. Há pelos menos 76 mortos e mais de mil feridos, segundo a Procuradoria do país. / AFP e EFE 

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