Helicópteros atiram contra multidão no Quênia

Presidente pede calma após assassinado de deputado; líder opostiror vê anarquia no país

Agências internacionais,

29 de janeiro de 2008 | 08h24

Helicópteros militares sobrevoaram e atiraram sobre uma multidão que ameaçava pessoas de outra tribo na cidade de Naivasha, reduto opositor no Quênia. O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, pediu calma à população nesta terça-feira, 29, dia em que um deputado do principal partido de oposição foi morto logo após a meia-noite quando chegava em casa, na capital Nairóbi.   Veja também: Entenda a crise pós-eleitoral do Quênia  Deputado da oposição é assassinado no Quênia   O líder da oposição, Raila Odinga, alertou que o país estaria se encaminhando para uma anarquia. Segundo uma testemunha, pelo menos sete pessoas foram mortas nesta terça com facões e flechas durante confrontos étnicos na favela de Kibera, na capital Nairóbi.     Segundo a BBC, a polícia disse não descartar uma possível ligação entre o assassinato de Mugabe Were, do Movimento Democrático Laranja (ODM, na sigla em inglês) e os episódios de violência que tomaram conta do país depois das eleições presidenciais, em 27 de dezembro.   O assassinato do parlamentar despertou a fúria de partidários da oposição, que se reuniram em várias cidades para protestar. A polícia usou gás lacrimogêneo e deu tiros para o alto para dispersar os manifestantes.   De acordo com a polícia, Were chegava em casa de carro, quando dois homens atiraram contra ele. "Nós estamos tratando o caso como assassinato, mas não descartamos que o crime tenha tido motivação política", disse o porta-voz da polícia Eric Kiraithe.   O deputado havia sido eleito para o Parlamento nas eleições legislativas de 27 de dezembro, ocorridas no mesmo dia da votação para presidente. O porta-voz do ODM, Tony Gachoka, acusou o governo de envolvimento na morte do deputado. "Todos os dedos apontam para o governo. E o governo terá de mostrar que não está envolvido", disse Gachoka.   Ainda nesta terça-feira, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan deverá mediar um encontro entre oposição e governo para tentar pôr um fim à crise. A situação vem se deteriorando no Quênia desde o fim de semana, quando novos episódios de violência voltaram a ocorrer. Na segunda-feira, a polícia prendeu mais de 150 pessoas nas cidades de Naivasha e Nakuru acusadas de envolvimento nos choques que causaram a morte de dezenas de pessoas nos últimos dias.   Também nesta segunda-feira, centenas de pessoas foram às ruas de outra cidade, Kisumu, em protesto contra a violência do fim de semana. Lojas e veículos foram incendiados e barricadas erguidas nas ruas.  

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