Helicópteros israelenses deixam quatro feridos

Quatro pessoas ficaram feridas quando helicópteros israelenses dispararam, nesta segunda-feira, três mísseis contra uma fábrica de peças de automóveis, no bairro de Zeitouni - conhecido como refúgio de militantes do Hamas -, na Faixa de Gaza. Três edifícios situados nos arredores de uma mesquita foram danificados. Um míssil não chegou a explodir. Bombeiros evitaram a propagação de um incêndio iniciado logo após o ataque. Salim Bahtiti, de 25 anos, filho do dono da fábrica, negou que o local fosse utilizado para a produção de armas, conforme havia informado a rádio do Exército de Israel. "Desafio todos os especialistas do mundo a virem aqui e afirmarem que nossa metalúrgica era utilizada para a produção de qualquer tipo de arma", disse ele. "Esta é uma guerra contra a economia palestina. Os israelenses estão agora atacando nossa indústria nacional. É uma nova fase desta guerra brutal", afirmou. Este foi o primeiro ataque contra Gaza desde que um caça F-16 lançou uma bomba de uma tonelada contra um prédio, no dia 22 de julho, causando a morte de um líder do Hamas, Salah Shehadeh, e de 14 civis, incluindo nove crianças. O ataque desencadeou uma série de condenações por parte da comunidade internacional - assim como uma rara censura da Casa Branca - devido ao alto número de civis mortos. O próprio Hamas, que cogitava um cessar-fogo unilateral, desistiu de idéia e prometeu vingança. Desde então, o Hamas assumiu a autoria de dois atentados - um bomba colocada na Universidade Hebraica de Jerusalém, que deixou sete mortos - entre eles cinco norte-americanos -, e um atentado suicida num ônibus, ocorrido ontem, com nove passageiros mortos. O número total de mortes no domingo chegou a 13, somando ataques de franco-atiradores em Jerusalém e na Cisjordânia. Três palestinos armados também morreram. Isolamento Após os ataques, Israel decidiu proibir hoje os palestinos de viajarem pela maior parte do norte da Cisjordânia e enviou tanques para fechar a saída do campo de refugiados de Rafah. As medidas agravaram as já duras restrições impostas por Israel a sete das oito maiores cidades palestinas da Cisjordânia, numa tentativa de conter novos atentados. O Exército israelense impõe rígidos toques de recolher que impedem os palestinos de saírem de suas casas durante dias. Em Nablus, soldados israelenses assassinaram um garoto de 15 anos que saiu de casa durante um toque de recolher. Conforme a nova restrição às viagens, os palestinos não podem dirigir pelo norte da Cisjordânia, entre as cidades de Nablus, Jenin, Qalqiliya, Tulkarem e Ramallah. Alguma liberdade de ir e vir será permitida no sul da Cisjordânia, que engloba as cidades de Hebron, Belém e Jericó. "Estamos numa situação de total isolamento da região da Samaria", disse o ministro da Defesa de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, referindo-se à Cisjordânia com seu nome bíblico. "Ninguém entra, ninguém sai. Não há movimentação entre as cidades e aldeias." Os palestinos que tentam trabalhar e estudar em outras cidades muitas vezes utilizam estradas vicinais para driblar os postos de checagem. O Exército anunciou hoje a entrada em vigor de uma "proibição total" de viagens de palestinos e avisou que os atuais bloqueios serão reforçados e mais tropas serão enviadas. Exceções serão abertas em casos humanitários. Atentado Em Gaza, 25 tanques tomaram posições na rodovia que liga o norte ao sul da região. O campo de refugiados de Rafah e um outro situado em seus arredores ficaram totalmente isolados do restante da Faixa de Gaza. Horas depois do anúncio do Exército, um carro explodiu no norte de Israel. Uma pessoa morreu e outra ficou ferida. Segundo a polícia, o passageiro morto no incidente parecia um militante a caminho de um atentado. Segundo a imprensa israelense, um palestino teria forçado a entrada no carro de um árabe-israelense, que tentou fugir quando percebeu que o homem pretendia realizar um atentado. Aparentemente, o palestino detonou prematuramente seu cinturão explosivo, suicidando-se e ferindo o motorista. A explosão ocorreu ao mesmo tempo em que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, convidava o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, para conversações de paz no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh. Fontes de ambos os lados disseram não ter recebido convite formal. Ainda nesta segunda-feira, a Suprema Corte de Israel emitiu uma ordem temporária que impede as demolições das casas de familiares de militantes palestinos - prática retomada recentemente por Israel - depois de 33 famílias palestinos terem movido uma ação conjunta. A ordem está em vigor até que a corte adote uma decisão final, prevista para amanhã. Outra medida israelense questionada na justiça é a deportação de parentes de militantes. Ben-Eliezer planeja dar seqüência às deportações.

Agencia Estado,

05 Agosto 2002 | 19h41

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