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Helio Gurovitz: Sinais de recuo do nacional-populismo

A onda nacional-populista que inquieta as democracias liberais desde 2015 parece dar sinais de esgotamento

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2018 | 05h00

A onda nacional-populista que inquieta as democracias liberais desde 2015 parece dar sinais de esgotamento. O mais eloquente é o encolhimento do Partido Republicano na Câmara dos Estados Unidos, resultado da rejeição ao governo de Donald Trump. Os democratas obtiveram sete pontos acima na votação para deputado e conquistarão ao menos 38 novas cadeiras.

No Reino Unido, a fantasia que cercava o Brexit esbarra na realidade. O acordo fechado pela premiê Theresa May com a União Europeia (UE) enfrenta oposição de unionistas norte-irlandeses, trabalhistas, parlamentares contrários ao Brexit e integrantes de seu próprio partido que prefeririam um divórcio sem acordo. Dificilmente será aprovado, se é que o governo May sobrevive até a votação. A possibilidade de um novo plebiscito, que pode enterrar o Brexit, não está descartada. 

Na Polônia, os nacional-populistas do Partido Lei e Justiça (PiJ) perderam as eleições municipais em dois terços das cidades, entre elas Varsóvia, Lodz, Poznan, Lublin, Gdansk e Cracóvia. Na Alemanha, o Alternativa para a Alemanha (AfD) entrou no Parlamento da Baviera em outubro, mas ficou em quarto lugar, dois pontos abaixo da meta de 12%. Pelo visto, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, o eleitorado começa a descobrir preocupações mais urgentes que a imigração ou o nacionalismo.

Recontagens têm efeito restrito nos EUA 

Mesmo tendo perdido a Câmara, os republicanos garantirão uma maioria inexpugnável no Senado, com pelo menos 52 das 100 cadeiras. Além de favoritos no segundo turno para a disputa ainda em aberto no Mississippi, é inimaginável que a recontagem de votos na Flórida tire a vitória do republicano Rick Scott sobre o democrata Bill Nelson. Scott estava 12,5 mil votos, ou 0,15 ponto porcentual, à frente de Nelson. A alteração média em recontagens é um décimo disso, segundo levantamento da FairVote. Só em três casos o vencedor mudou, como mostra a tabela abaixo.

Qual o tamanho ideal do Congresso?

Um estudo do cientista político estoniano Rein Taagepera verificou em 1972 que o tamanho ideal dos Parlamentos nas democracias equivale à raiz cúbica da população. No Brasil, os 513 deputados e 81 senadores somam 594 (ao cubo, isso dá em torno dos nossos 209 milhões de habitantes). A mesma relação é verificada em países como México, Dinamarca ou Canadá. Nos Estados Unidos, o Congresso, congelado em 435 deputados e 100 senadores desde 1911, se tornou pequeno, afirma editorial do New York Times. Seriam necessárias mais 158 cadeiras na Câmara. O Times defende um redesenho nacional dos distritos eleitorais e mais de um representante para cada um.  

A coerência estratégica de ‘Bibi’ Netanyahu

O premiê israelense, Binyamin ‘Bibi’ Netanyahu, sofreu críticas e deserções em seu gabinete após o cessar-fogo em Gaza. A manobra de Bibi não revela fraqueza, mas coerência com sua meta de décadas: evitar um Estado palestino nos territórios ocupados. Tanto o cessar-fogo quanto a autorização para a transferência de US$ 90 milhões do Catar aos palestinos contribuem para manter o poder do Hamas em Gaza, reduzem o risco de ataques a Israel, ampliam o fosso entre Hamas e Autoridade Palestina e afastam ainda mais a perspectiva de acordo de paz. 

Matemático aponta erro em estudo climático

Os dez autores de um estudo publicado em outubro na revista Nature foram obrigados a voltar atrás na afirmação de que as temperaturas oceânicas têm subido 60% acima do estimado pelo painel de mudanças climáticas da ONU. O matemático Nic Lewis descobriu um erro nos cálculos. Corrigidos, eles revelaram um aquecimento apenas modestamente superior ao imaginado. “Ficamos gratos pelo erro ter sido apontado tão rápido e de termos podido corrigi-lo”, disse Ralph Keeling, um dos autores.

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