Herbicidas revelam luta ideológica entre Colômbia e Equador

A crise diplomática entre Equador e Colômbia provocada pelo uso de herbicidas pelas autoridades colombianas para destruir plantações de coca perto da fronteira entre os dois países revela o conflito ideológico atual na América do Sul, disse nesta sexta-feira o sociólogo Mauro Cerbino.O professor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), com sede em Quito, disse que a Colômbia representa uma corrente de direita, próxima ao Governo dos Estados Unidos. Já o Equador, com seu presidente eleito, Rafael Correa, se une ao bloco dos Governos esquerdistas sul-americanos.Segundo Cerbino, a medida adotada pela Colômbia, que o Equador critica por considerar que afeta seus habitantes e o meio ambiente, poderia ser interpretada como uma "provocação" e uma tentativa de pressionar o vizinho a intervir no conflito colombiano.A Colômbia "deveria repensar sua relação com o Equador", cujo novo presidente defende a integração de um "eixo sul-americano", com os países que compartilham uma linha de esquerda, acrescentou Cerbino.A visita de Correa à Venezuela e seu encontro com o presidente Hugo Chávez demonstra essa tendência. É um "erro de cálculo" da Colômbia pensar que pode forçar o Equador a intervir no conflito interno colombiano, apontou.Na estratégia colombiana para a luta contra as drogas "sobressai uma visão marcada pela lógica do Pentágono, que se concentra na produção da droga e não no consumo", apontou o sociólogo. Para ele, a política de "repressão ao consumo de drogas apenas eleva o valor e a importância da produção".O analista político Luis Eladio Proaño considerou que o conflito entre Equador e Colômbia é "muito delicado"."O problema da droga é real e a queixa equatoriana de que o herbicida provoca danos em território equatoriano também é", acrescentou Proaño, após defender o diálogo entre os dois países para superar a tensão."Uma negociação se dá quando as duas partes cedem e chegam a um acordo para encontrar a melhor solução. Equador e Colômbia deveriam buscar um diálogo construtivo. Não há outra solução", disse Proaño.O chanceler equatoriano, Francisco Carrión, também afirmou que o diálogo é possível. Mas pediu à Colômbia que suspenda a dispersão de herbicidas para estabelecer uma conversa direta."O Equador reafirma sua exigência de que a Colômbia suspenda as atividades, até que sejam feitos estudos" sobre as conseqüências em território equatoriano, disse Carrión.

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