Herdeira de dinastia política, Benazir era figura polêmica

Acusada de corrupção, ex-premiê paquistanesa seguiu o caminho do pai, Zulfikar Bhutto; e morreu assassinada

Reuters e BBC Brasil ,

27 de dezembro de 2007 | 12h29

Benazir Bhutto seguiu o caminho de seu pai na política e ambos morreram por conta disso: ele foi executado em 1979 e ela, vítima de um ataque suicida. Seus dois irmãos também sofreram mortes violentas.   Veja também: Cronologia: A trajetória de Benazir Assista ao vídeo  Blog do Guterman: Guerra civil à vista    Assim como a família Nehru-Gandhi na Índia, a família Bhutto do Paquistão constitui uma das maiores dinastias políticas do mundo. O pai de Benazir, Zulfikar Ali Bhutto, foi o fundador do Partido do Povo do Paquistão (PPP) e primeiro-ministro do Paquistão no início da década de 70. Seu mandato foi um dos poucos a não ser comandado pelo Exército ao longo dos 60 anos de independência.   Benazir Bhutto nasceu no dia 21 de junho de 1953, no seio de uma rica família de proprietários de terra. Freqüentou universidades renomadas, como a americana Harvard e a inglesa Oxford. Apesar de ter credibilidade por conta da fama do pai, relutava em seguir carreira política. Herdou a liderança do PPP depois da execução de seu pai, em 1979, sob o governo do general Mohammad Zia-ul-Haq, dirigente militar do país à época.   Benazir foi primeira-ministra no Paquistão por duas vezes: de 1988 a 1990, e de 1993 a 1996. Nas duas ocasiões em que esteve no governo, Benazir foi destituída do cargo por conta de graves acusações de corrupção. Algumas levaram à abertura de processos na Suíça, Espanha e Reino Unido.   As demissões ressaltou a volatilidade de sua carreira política, que foi marcada por inúmeros altos e baixos. No ápice de sua popularidade - logo após sua primeira eleição - ela se tornou uma das líderes mundiais mais respeitadas.   Jovem e ativa, ela obteve sucesso ao se caracterizar como um contraste importante ao establishment que dominava o país e era composto apenas por homens.   Acusação de corrupção   Em 1999, tanto Benazir quanto seu marido, Asif Ali Zardari, foram condenados a cinco anos de prisão e multados em 8,6 milhões de dólares sob a acusação de terem aceitado subornos de uma empresa suíça contratada para reprimir fraudes alfandegárias. Uma corte de segunda instância acabou cancelando as condenações. Bhutto, que colocara o marido à frente do Ministério das Finanças de 1993 a 1996, estava no exterior à época de sua condenação e optou então por não regressar a sua terra natal e viver em exílio voluntário em Londres.   Seu retorno ao Paquistão só foi possível após um indulto concedido pelo presidente paquistanês Pervez Musharraf, que parecia ter aceitado um acordo para dividir o poder com Benazir.   No entanto, a lei que torna inválidos os processos por corrupção contra ela está sendo contestada nos tribunais paquistaneses. Advogados da ex-primeira-ministra em Genebra afirmaram no mês passado terem entrado com uma apelação junto a uma corte da Suíça devido às acusações de lavagem de dinheiro contra a ex-primeira-ministra e o marido dela. A moção pode provocar a realização de novas audiências sobre o caso.   Retorno ao poder   Em 2006, Benazir criou com seu arqui-rival Nawaz Sharif uma Aliança para a Restauração da Democracia, mas os dois não conseguiram chegar a um acordo sobre a estratégia a ser adotada na confrontação com o presidente Pervez Musharraf. Bhutto acreditava ser melhor negociar com o general, ao passo que Sharif rejeitava qualquer contato com o dirigente militar.   Benazir regressou ao Paquistão em outubro de 2007, após passar oito anos em exílio voluntário. A volta aconteceu quando Musharraf, com quem vinha negociando a respeito de um processo de transição para um regime democrático liderado por civis, concedeu-lhe garantia de que não seria processada devido às acusações de corrupção.   Além da possibilidade de ser presa, a ex-primeira-ministra também enfrentava as ameaças de atentados suicidas de ativistas do Taleban, que já prometeram assassiná-la.   Ao regressar, já em Karachi, a ex-primeira-ministra foi alvo de um atentado suicida que matou 139 pessoas, entre simpatizantes e membros da equipe de segurança dela.   No dia 26 de dezembro, em um cinturão industrial localizado perto de Islamabad, Benazir prometeu, enquanto fazia campanha para as eleições gerais de janeiro, lutar pelos direitos dos trabalhadores.   Com credenciais seculares e liberais, ela poderia ser o nome ideal para deter os militantes islâmicos que atuam no Paquistão, caso conseguisse retornar ao cargo de primeira-ministra, ao qual pretendia reconquistar nas eleições presidenciais previstas para a metade de janeiro de 2008.   Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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