Herdeiro da família Gandhi está mais perto do poder na Índia

A doença da mais poderosa líder política da Índia, Sonia Gandhi, pode dar início a uma arriscada sucessão que levaria seu inexperiente filho Rahul ao poder justamente no momento em que o governista Partido do Congresso enfrenta escândalos de corrupção e uma elevada inflação no país.

ALISTAIR SCRUTTON, REUTERS

05 de agosto de 2011 | 13h34

A indicação de Rahul, de 41 anos, para integrar um quarteto que administrará os assuntos políticos para o partido enquanto a mãe dele está em tratamento de saúde no exterior, foi uma surpresa para muitos porque outros líderes mais velhos e experientes foram ignorados.

No surpreendente anúncio, feito na quinta-feira, não foi divulgada qual é a doença de Sonia Gandhi, que está com 64 anos e é a líder do Partido do Congresso, mas ela poderá ficar fora do país por várias semanas.

Sua ausência pode ser por um período ainda maior se estiverem corretas as informações de dois jornais, segundo os quais ela está com câncer.

O Partido do Congresso informou nesta sexta-feira que Sonia Gandhi foi operada com sucesso, mas a indicação de Rahul para o posto pode ser um sinal de sua intenção de ser sucedida no cargo, mesmo se retornar rapidamente ao trabalho.

"Ele está recebendo uma responsabilidade muito importante de manter as coisas funcionando. É uma expansão de seu campo de ação", disse o analista político Mahesh Rangarajan. "Um dia ele será primeiro-ministro, mas isso é basicamente a continuidade. É um sinal de continuidade para o partido."

Diante de críticas da oposição de que a Índia não poderia ser dirigida por uma líder nascida na Itália, Sonia Gandhi indicou Manmohan Singh para primeiro-ministro depois que ela venceu a eleição de 2004. Depois disso, ela vem de fato administrando amplamente o país nos bastidores e conseguiu que seu partido fosse reeleito em 2009.

Sonia Gandhi determina a estratégia do governo -- como a ênfase do Partido do Congresso em políticas redistribuitivas -- e tem pressionado por políticas fundamentais como uma lei de segurança alimentar para propiciar a entrega de grãos subsidiados a famílias pobres.

Rahul irá agora assumir essas tarefas no momento em que o Parlamento debate reformas-chave, como uma lei sobre compra de terras, e enfrenta acusações de que fez vista grossa a um enorme escândalo de licenças no setor de telecomunicações, o qual já resultou na saída de um ministro.

Um dia antes da nomeação de Rahul, a oposição lançou um novo ataque ao governo por causa do relatório de uma auditoria que criticou o gabinete do primeiro-ministro pela má organização dos Jogos da Comunidade Britânica de Nações em 2010.

Além de Rahul, o quarteto que substituirá Sonia Gandhi inclui o secretário-geral e o secretário político do partido, Janardan Dwivedi e Ahmed Patel, respectivamente, e o ministro da Defesa, A.K. Antony. Todos são conselheiros de Sonia Gandhi.

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