Herdeiro de Chávez reúne multidão no último dia de campanha em Caracas

'Maré vermelha'. Chavistas estimam em 2 milhões o número dos militantes que acompanharam a despedida de Maduro dos palanques antes da eleição presidencial de domingo; opositor Capriles faz comícios finais em três Estados do interior do país

FELIPE CORAZZA , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2013 | 02h07

Numa das datas mais significativas para o chavismo, o presidente interino e candidato à presidência da Venezuela, Nicolás Maduro, encerrou ontem sua campanha com um comício diante de uma "maré vermelha" na capital, Caracas. No 11 de Abril, que marca o aniversário da tentativa frustrada de golpe contra Hugo Chávez em 2002, os governistas estimam ter levado cerca de 2 milhões às ruas da cidade.

Para o comício, sete avenidas da cidade foram fechadas e milhares de ônibus trouxeram partidários de todos os Estados do país. Entre os veículos, havia ônibus do Exército repletos de militantes e outras centenas de jipes e ônibus com identificação de "uso oficial". No domingo, Maduro enfrentará Henrique Capriles, da Mesa da Unidade Democrática (MUD), nas urnas.

O sucessor indicado por Chávez antes de sua morte, em 5 de março, percorreu as ruas tomadas pela multidão em um jipe. Maduro cumprimentou os militantes e agradeceu pela "chuva de povo" que o recebeu ao fim de uma campanha iniciada com a convocação de novas eleições, em razão da morte do presidente. Maduro foi recebido no palanque do comício por Diego Maradona, ídolo argentino do futebol e apoiador histórico de Chávez, Fidel e Raúl Castro. Antes de discursar, o chavista ficou ao lado do ex-jogador, que chutava bolas autografadas para o público.

Após a exibição de um vídeo de Chávez, Maduro abriu o discurso com afirmando que "a revolução continua", mesmo com "a perda física" do presidente.

Capriles começou o último dia de campanha com um comício em San Fernando, de Apure, onde prometeu um aumento de 40% para todos os salários. Em seguida, participou de outro ato com em Acarigua, no Estado de Portuguesa, afirmando que sua disputa com Maduro é uma "luta do bem contra o mal", antes de partir para Barquisimeto, em Lara.

O opositor disse ter feito toda a campanha para enviar "uma mensagem de profundo respeito" à população. Encerrou sua campanha agradecendo aos militantes pelo empenho em uma "cruzada bonita".

A polícia do Estado de Lara apreendeu cerca de 50 cartuchos de munições que, segundo as autoridades, seriam utilizadas por mercenários contratados pela oposição para criar distúrbios. A coordenação de campanha de Capriles tem rebatido sucessivas acusações chavistas de que teria a intenção de provocar tumultos.

O pouco tempo para campanha após a morte de Chávez levou a uma espécie de "reprise" da disputa de 7 de outubro, quando Chávez venceu Capriles, segundo o cientista político e filósofo Oscar Reyes. O analista disse ao Estado que a repetição também deve ocorrer nas urnas, na eleição de domingo, favorecendo Maduro. "Foi uma campanha muito curta, fulminante. Os programas se repetem, são os mesmos. Maduro diz simplesmente que vai continuar o legado de Chávez e Capriles não conseguiu apresentar nada de novo."

Segundo pesquisa publicada ontem pelo instituto Datanálises, o chavista tem 54,8% das intenções e o opositor, 45,1%, uma diferença de 9,7 pontos porcentuais. A vantagem não é a que Maduro gostaria - o presidente interino pediu que os eleitores lhe dessem pelo menos 15 pontos sobre Capriles. No entanto, a projeção do Datanálisis seria o bastante para Maduro impor-se como presidente legítimo e acalmar divisões internas no PSUV.

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