Herdeiro de Chávez será um conciliador ou um incendiário?

Análise: Juan Forero

É REPÓRTER DO WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2013 | 02h02

Desde antes da morte do presidente Hugo Chávez, o homem que ele escolheu para lhe suceder clamou contra as oligarquias, as companhias petrolíferas multinacionais e os EUA. Nicolás Maduro, que tomou posse na sexta-feira, depois que Chávez perdeu sua batalha contra o câncer, deverá governar esse país rico em recursos petrolíferos pelo menos até 2019 e seguir a mesma política adotada por seu chefe. Leal assessor de Chávez desde a década de 90, Maduro, de 50 anos, não só conquistou a simpatia da Venezuela, mas também atualmente controla o dinheiro do aparato estatal, algo que tem dado ao governo uma vantagem decisiva em eleições.

Muitos venezuelanos indagam que tipo de presidente Maduro será: um conciliador disposto a sanar as feridas ou um demagogo que usa a sua posição para controlar as alavancas do poder, como, segundo opositores, fazia Chávez.

Antes visto como um homem de perfil reservado, nos últimos discursos, Maduro tem exibido não só a mesma retórica belicosa de Chávez, como também um tom incendiário semelhante ao do antecessor. Ele prometeu manter viva a chama do "comandante" protegendo os pobres das elites gananciosas que operam na Venezuela e nos EUA, que ele chama de "inimigo histórico". "As elites imperialistas que governam os EUA terão de aprender a conviver com o respeito absoluto pelos povos insurretos da América", afirmou, ao receber a faixa presidencial.

Como Maduro se tornou mais visível nas últimas semanas, as pessoas começam a se questionar se, na qualidade de presidente, o ex-motorista de ônibus se tornará o calmo apparatchik, como acreditam alguns diplomatas. Maduro é tido como um pragmático, um negociador que senta à mesa com adversários, um líder aberto para a solução da polarização que Chávez contribuiu para criar nos 14 anos de poder.

Mas o quadro de Maduro que está se revelando - particularmente nos últimos quatro dias de luto por Chávez - é o de um líder que parece disposto a acelerar o programa do ex-presidente. Isso poderá significar até mesmo insultos e ameaças, como as que Maduro fez na semana passada. E, para a oposição e a imprensa sob constante perseguição na Venezuela, poderá se traduzir em novos esforços de repressão. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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