Herdeiro político da família Gandhi elogia líder anticorrupção

Num discurso para demonstrar sua força como líder em ascensão do governista Partido do Congresso, o político Rahul Gandhi, neto da ex-primeira-ministra Indira Gandhi, rompeu nesta sexta-feira seu silêncio sobre o embate entre o governo e um ativista que faz greve de fome por medidas anticorrupção.

ARU, REUTERS

26 de agosto de 2011 | 10h54

O herdeiro da família Gandhi (sem parentesco com o herói da independência Mahatma Gandhi) é amplamente visto como um futuro primeiro-ministro. Ele fez o pronunciamento num momento em que o Parlamento se prepara para provavelmente debater no sábado as exigências do ativista Anna Hazare, de 74 anos, para encerrar seus 11 dias de jejum anticorrupção, um protesto que uniu milhões de indianos contra o governo.

Rahul Gandhi, de 41 anos, passou os últimos anos viajando pelo país para assumir a causa dos camponeses pobres, base de apoio do Partido do Congresso, de centro-esquerda.

Ele costuma se concentrar na organização da juventude da legenda e raramente fala sobre questões nacionais. Mas a misteriosa doença de sua mãe, Sonia Gandhi, fez com que ele ascendesse em agosto ao quarteto de líderes do partido e o deixou sob pressão para mostrar qualidades de líder que ajudem a legenda a vencer a próxima eleição geral, em 2014.

Embora os protestos de Hazare tenham galvanizado a atenção da crescente classe média urbana da Índia, Rahul Gandhi direciona seu discurso principalmente para os pobres.

"Estamos todos cientes de que a corrupção está espalhada. Opera em todos os níveis. Pode ser que os pobres carreguem o fardo mais pesado, mas essa é uma aflição da qual todo indiano está desesperado para se livrar", afirmou Rahul Gandhi, falando em inglês no Parlamento.

Apesar de ter elogiado Hazare, ele também criticou seu movimento por estabelecer um "precedente perigoso para uma democracia", por tentar ditar suas exigências ao Parlamento.

Ele pediu a regulamentação de leis contra a corrupção relacionada a terras, mineração e cartões de racionamento, questões que afetam os pobres, e também propôs reformas no financiamento de campanhas eleitorais, raiz da corrupção na política.

Hazare emergiu como um facho de luz para a grande irritação da população com a classe política, vista como arrogante e distante. Políticos em geral, do primeiro-ministro Manmohan Singh a Rahul Gandhi, parecem ter ficado de mãos atadas diante da dimensão dos protestos.

No sábado o Parlamento provavelmente debaterá as propostas de Hazare, de criação de uma poderosa agência anticorrupção -- condição fixada por ele para encerrar seu jejum.

Mais de 13 mil seguidores dele se reúnem diante do local onde está jejuando, em uma área aberta da capital, Nova Délhi. Hazare, que costuma ser comparado com Mahatma Gandhi, o herói da independência da Índia, perdeu 7 quilos, mas sua saúde está estável, disseram médicos.

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