Herdeiro político de Berlusconi deixa partido

O ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, sofreu um revés neste sábado após seu herdeiro político deixar o partido de centro-direita para formar um novo grupo político. O acontecimento pode estabilizar o apoio ao frágil governo de coalizão do atual primeiro-ministro Enrico Letta.

Agência Estado

16 de novembro de 2013 | 20h01

A cisão, ocorrida um dia antes da assembleia nacional, deixa Berlusconi com um partido menor e enfraquecido. Angelino Alfano, escolhido por Berlusconi como seu sucessor e secretário de seu partido, anunciou a criação de um novo grupo parlamentar, que já conta com 30 políticos no Senado e 27 na Câmara Baixa. A divisão do partido também agrava os questionamentos que ocorrem na Itália sobre o papel político de Berlusconi.

Após ser condenado por fraude fiscal em agosto, o ex-primeiro-ministro deverá presta um ano de serviço comunitário e ficar dois anos fora da vida pública. Ele também não poderá concorrer nas eleições do ano que vem. No dia 27 de novembro, o Senado realizará votação final sobre a manutenção de sua cadeira no Parlamento.

"O principal motivo de minha saída do partido foi que vi a facção pressionando para uma crise no governo e a convocação de eleições antecipadas começou a se tornar uma possibilidade", disse Alfano, acrescentando que o governo precisa de pelo menos mais 12 meses para atingir seus objetivos.

Ele confirmou que ele e seus apoiadores irão votar contra a expulsão de Berlusconi do Senado. Mas acrescentou que os problemas judiciais do ex-premiê devem ser separadas das decisões políticas e do apoio ao governo de Letta.

Analistas políticos dizem que a incapacidade de manter seu partido unido é um sinal do declínio da influência política de Berlusconi e o início de uma nova e mais radical fase política.

Em discurso hoje no encontro de seu partido, Berlusconi admitiu que, após a cisão, não haverá votos suficientes para derrubar o atual governo. A coalizão de governo de Letta está baseada no Partido Democrático de centro-esquerda de no grupo opositor a Berlusconi. Graças a saída do grupo de Alfano, o primeiro-ministro terá agora a maioria necessária para sobreviver, mesmo que Berlusconi decida romper a aliança. Berlusconi vinha ameaçando faze-lo se o Senado votasse a favor de sua expulsão. Fonte: Dow Jones Newsiwre.

Mais conteúdo sobre:
Itáliaberlusconicisão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.