Kandhi Barnez/AP
Kandhi Barnez/AP

Herói da independência, premiê do Timor Leste deixa cargo

Xanana Gusmão deixou o governo dias antes de uma reestruturação do gabinete programada para a próxima semana

O Estado de S. Paulo

06 de fevereiro de 2015 | 11h57

O herói da independência do Timor Leste, Xanana Gusmão, renunciou nesta sexta-feira, 6, ao cargo de primeiro-ministro, deixando o governo dias antes de uma reestruturação do gabinete, esperada para a semana que vem.

O ex-líder guerrilheiro foi o primeiro presidente do país, após o término da ocupação indonésia em 2002, permanecendo no cargo até se tornar primeiro-ministro, em 2007.

A grande maioria dos eleitores do Timor Leste votou em 1999 pelo fim da brutal ocupação indonésia que deixou mais de 170 mil mortos no país, mas hoje a luta é pelo desenvolvimento econômico. Cerca de metade dos 1,2 milhão de habitantes do Timor Leste vive na pobreza.

Após uma reunião com o presidente Taur Matan Ruak, Gusmão disse aos jornalistas que "eu peço a todos os timorenses que aceitem e apoiem minha decisão".

Um conselheiro de Gusmão, que pediu para não ser identificado, disse que o ex-premiê sente que agora é hora de passar a responsabilidade do governo para a próxima geração.

Uma reestruturação do governo deve ser anunciada na próxima semana, quando o gabinete deve reduzir os atuais 55 ministérios para 34 e tornar a administração mais inclusiva, com membros da oposição entre os novos integrantes.

Comunicado do governo diz que Gusmão, de 68 anos, apresentou sua renúncia ao presidente. "Recentemente, o primeiro-ministro encorajou todos os membros do governo a trabalhar calmamente, neste período de transição, até que um novo governo seja empossado", diz o documento.

Gusmão não descartou a possibilidade de permanecer no governo, com uma outra função, dizendo que isso vai depender do novo primeiro-ministro.

Mariano Sabino, porta-voz da coalizão de três partidos políticos de apoio ao governo, disse que as legendas concordaram com a decisão de Gusmão de deixar o cargo. Segundo ele, o anúncio do novo primeiro-ministro, que deve governar o país pelos próximos dois anos, deve ser feita no domingo ou na segunda-feira.

O ex-presidente timorense e vencedor do prêmio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, não deve integrar o novo governo, afirmou o conselheiro.

O Timor Leste foi colônia de Portugal até declarar independência, no final de 1975. O país foi então invadido e ocupado pela Indonésia, até que um referendo, apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi realizado em 1999, levando o Timor Leste a se tornar um Estado soberano em 20 de maio de 2002. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.