Herói para alguns, déspota para os inimigos

Era Fujimori foi marcada por golpe, combate a rebeldes e intimidação da oposição

Afp e Reuters, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2022 | 00h00

Sete anos após deixar o poder, o ex-presidente peruano Alberto Fujimori, de 69 anos, ainda é uma figura controvertida no Peru. Para alguns, ele é o homem que teve coragem de enfrentar os militantes do grupo rebelde maoísta Sendero Luminoso. Para outros, é um déspota corrupto e golpista que enviou esquadrões da morte para matar inocentes e desviou dinheiro público durante seu longo período de governo, de 1990 a 2000.Fujimori, filho de japoneses, tornou-se presidente do Peru em 1990, após derrotar o escritor Mario Vargas Llosa com uma campanha baseada no distanciamento dos políticos tradicionais. Na época, o país sofria com a hiperinflação e a violência política. Logo após tomar posse, o agrônomo e ex-professor de matemática lançou um programa radical de reformas econômicas, acabando com subsídios, privatizando empresas estatais e reduzindo o papel do Estado na economia. Apesar de acabar com a inflação e abrir caminho para o crescimento econômico, a reforma de Fujimori dificultou a vida dos peruanos: a maior parte da mão-de-obra do país passou para a economia informal e a taxa oficial de desemprego oficial superava os 60%.Além de controlar a economia, o então presidente peruano endureceu o combate às guerrilhas esquerdistas. Um dos episódios marcantes de seu governo foi a libertação de dezenas de reféns seqüestrados pelo grupo guevarista Movimento Revolucionário Túpac Amaru, (MRTA), na residência do embaixador japonês, em Lima, tomada em dezembro de 1996.Conhecido como um homem frio e autoritário, Fujimori exerceu o poder com mão-de-ferro, com apoio das Forças Armadas, sua principal aliada. Entre janeiro e março de 1995, enfrentou o Equador numa guerra pelo controle da foz do Rio Cenepa. O conflito encerrou-se oficialmente com a assinatura de um acordo em 1998, em Brasília.?AUTOGOLPE?Dois anos depois de assumir o cargo, Fujimori dissolveu o Congresso, afirmando que o Legislativo estava prejudicando o combate ao Sendero Luminoso. Apesar das críticas, Fujimori foi reeleito pelos peruanos, em 1995, vencendo com ampla maioria. Durante seu segundo mandato, no entanto, foi acusado de intimidar opositores, usando o serviço secreto, liderado por seu aliado Vladimiro Montesinos. De acordo com a oposição, o governo peruano passou a pressionar também meios de comunicação e o Judiciário, além de financiar suas campanhas com recursos públicos.O anúncio de que Fujimori tentaria um terceiro mandato chocou o país. Seis meses após ter vencido as eleições de maio de 2000, Fujimori fugiu para o Japão após o escândalo que teve Montesinos como pivô (leia ao lado). Fujimori enviou uma mensagem de renúncia ao Congresso por fax. Mas os congressistas a rejeitaram e aprovaram sua destituição por "incapacidade moral".

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