Herói venezuelano da Fórmula 1 divide opositores e chavistas

Oposição critica patrocínio milionário da PDVSA a Pastor Maldonado, que venceu o GP de Barcelona

CARACAS, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2012 | 07h42

A vitória do venezuelano Pastor Maldonado no Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1, a primeira do país na categoria, abriu uma disputa política entre partidários do presidente Hugo Chávez e seus opositores. A oposição critica o patrocínio dado pela estatal petrolífera PDVSA ao piloto e à equipe Williams. O governo responde com a acusação de falta de patriotismo. Após vencer a corrida, Maldonado agradeceu à empresa e a Chávez.

A discussão ganhou força na terça-feira com a publicação de um artigo do ex-líder estudantil Yon Goycochea no jornal El Universal, no qual ele questiona os US$ 66 milhões pagos pela PDVSA ao piloto e à Williams. "É irônico que a PDVSA socialista emita bônus exorbitantes de sua dívida para financiar uma das maiores equipes de um esporte de elite", disse.

No artigo, Goycochea qualifica ainda de "imbecis" os partidários da oposição que celebraram a vitória do piloto - causando mal-estar até mesmo nas fileiras da antichavista Mesa de Unidade Democrática (MUD).

Pelo lado do chavismo, a resposta veio pelo chefe de campanha de Chávez, Jorge Rodríguez. " O fascismo não suporta a vitória, a alegria, o futuro, nem a construção da pátria venezuelana", disse. "A vitória de Pastor é de todos, independentemente de ideologia ou posição política."

No programa Caindo e Correndo, da TV estatal VTV, o apresentador Miguel Perez Pirela ridicularizou o canal Globovisión, crítico ao governo, por questionar o apoio a Maldonado. "Pastor chegou à frente de dois campeões mundiais (Fernando Alonso e Kimi Raikkonen). O que os jornalistas desse canal fizeram pela Venezuela?", questionou.

Desde domingo, a VTV tem exibido comerciais nos quais Chávez saúda Maldonado. No metrô de Caracas, o piloto é garoto-propaganda de uma campanha contra violência nos trens.

Nas ruas da capital, as pessoas dividem-se sobre o uso político de Maldonado. "Acho isso uma estupidez. Todos os governos apoiam seus esportistas: Cuba, Brasil, EUA. É normal", disse ao Estado o funcionário público Jesús Hernández.

Gerente de uma loja de esportes no centro de Caracas, Alex Mantilla discorda. "A PDVSA é uma máquina de gastar dinheiro. Poderiam gastar em outras coisas", declarou. O vendedor, no entanto, mostra uma fé inabalável no potencial de Maldonado. "Você é do Brasil? Pode escrever aí, ele vai superar Ayrton Senna." / L.R.

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