Stefan Rousseau/AP
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Heróis entre os líbios, Sarkozy e Cameron prometem pegar Kadafi

Líderes europeus que tomaram a dianteira na iniciativa de intervir na Líbia - os primeiros a visitar Trípoli após a queda do ditador - também assumem compromisso de liberar para o governo de facto US$ 18 bilhões de fundos congelados há sete meses

, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2011 | 00h00

TRÍPOLI

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o premiê da Grã-Bretanha, David Cameron, principais defensores da intervenção da Otan na Líbia, foram recebidos ontem como heróis em Trípoli e na segunda cidade do país, Benghazi. Primeiros líderes estrangeiros a visitar a Líbia pós-Muamar Kadafi, eles prometeram ajuda econômica, garantiram que não desistirão de capturar o ditador e continuarão os ataques até a rendição do último kadafista.

Cercados por um forte esquema de segurança e em meio a aplausos da multidão, Cameron e Sarkozy voltaram a apoiar o Conselho Nacional de Transição (CNT), que governará de maneira provisória o país. O gabinete do premiê britânico aproveitou a visita para anunciar o envio imediato de US$ 950 milhões para o pagamento de funcionários públicos líbios.

No início do mês, Londres já havia desbloqueado US$ 1,6 bilhão em ativos da Líbia que estavam no país e pode liberar mais US$ 18 bilhões nos próximos dias - analistas acreditam que a Líbia tenha, ao todo, cerca de US$ 110 bilhões em fundos espalhados pelo mundo.

Além da ajuda econômica, o premiê britânico prometeu capturar o ditador líbio. "Ajudaremos vocês a encontrar Kadafi para apresentá-lo à Justiça", declarou Cameron. "O trabalho não terminou." Sarkozy também garantiu que a Otan não deixará o país. "Nossa missão continua até que todos os civis estejam protegidos e nosso trabalho termine."

Cameron e Sarkozy receberam também elogios dos dirigentes rebeldes pelo envolvimento no conflito contra Kadafi. "A vitória nunca teria sido possível sem a ajuda de nossos aliados, especialmente de França e Grã-Bretanha", disse o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, ao lado do chefe de governo Mahmoud Jibril.

Tanto o presidente francês quanto o primeiro-ministro britânico tentaram manter o discurso austero, mas era difícil esconder que o objetivo da visita era ganhar simpatia e influência na nova Líbia. A Grã-Bretanha estima ter gastado US$ 425 milhões nos seis meses de bombardeios. Para Paris, as despesas ultrapassaram US$ 250 milhões.

Interesses. Uma forma de cobrar a conta seria pressionar o governo provisório em Trípoli a preservar os acordos de exploração de petróleo firmados quando o país ainda era governado por Kadafi. Outro objetivo seria assegurar novos contratos para a reconstrução da infraestrutura da Líbia - ainda que Sarkozy tenha tentado disfarçar suas intenções.

"O que nós fizemos foi sem nenhum interesse oculto. Fizemos porque queríamos ajudar a Líbia", declarou o presidente francês. Sarkozy foi o primeiro governante ocidental a romper com Kadafi. No dia 10 de março - três semanas antes do início dos ataques da Otan -, ele recebeu em Paris uma comitiva de líderes rebeldes.

O golpe diplomático foi articulado pelo filósofo Bernard-Henri Lévy, mas foi muito mal recebido dentro e fora da França. Ontem, sete meses depois, Sarkozy não escondia sua satisfação por ter sido recebido como popstar na Líbia. / AP, NYT e REUTERS

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