Hezbollah ameaça, mas reluta em atacar

Interesses no Líbano impediriam grupo xiita de abrir nova frente contra Israel

Gustavo Chacra, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 00h00

A decisão do Hezbollah de abrir uma nova frente no conflito entre Israel e o Hamas depende do que o grupo xiita libanês considere mais importante - seus interesses domésticos, no Líbano, ou externos, ligados ao Irã. Até agora, com a calma prevalecendo na fronteira do Líbano com o norte de Israel, as questões internas libanesas têm prevalecido.O problema é que uma declaração do líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, reviveu a possibilidade de sua organização lançar uma ofensiva contra Israel, aproveitando a vulnerabilidade do Exército israelense, completamente mobilizado para as operações na Faixa de Gaza."Estamos preparados para todas as possibilidades de agressão. Os sionistas descobrirão que a guerra que eles travaram em julho (de 2006, no sul do Líbano) foi um passeio no parque se comparado ao que preparamos para uma nova agressão", disse Nasrallah em uma importante data para os xiitas, que marca a Ashura, um festival no qual os participantes se autoflagelam.O Hezbollah tem o apoio de quase a totalidade da população xiita do Líbano, que representa cerca de 40% de toda a população do país. Atualmente, o partido lidera a oposição, mas, após um acordo com a coalizão governista (liderada por sunitas), passou a fazer parte de um governo de união nacional que tem o objetivo de evitar uma nova guerra civil no Líbano. Este acordo é frágil e os dois lados possuem enormes diferenças. Mas, nos últimos meses, foram abertos canais de diálogo. Nesta semana, o principal líder sunita e rival do grupo xiita deu garantias para a imprensa libanesa de que o Hezbollah não atacará Israel.POLÍTICA INTERNAA organização xiita também teria seus próprios interesses políticos prejudicados em caso de um confronto. O Hezbollah é aliado de uma facção cristã - contrária a confrontos com Israel - que será fundamental para que o partido consiga vencer as eleições parlamentares marcadas para junho.Há ainda complicações logísticas, já que, apesar de mais bem armado do que em 2006, hoje o Hezbollah não atua com liberdade total no sul do Líbano, onde existem mais de 10 mil membros da Unifil (Força de Paz da ONU) e outros milhares de militares libaneses.No cenário externo, o Hezbollah recebe a maior parte do seu apoio do Irã, além de ser aliado da Síria. As operações militares do grupo são coordenadas com Teerã.Outro problema do grupo xiita é que seu principal comandante militar, Imad Mughnyieh, foi morto na explosão de um carro-bomba em Damasco no ano passado e o Hezbollah não conseguiu substituí-lo.

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