Hezbollah captura espiões americanos no Líbano

Segundo reportagem da 'Associated Press', grupo xiita teria identificado os agentes pelos bancos de dados de seus celulares

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h04

Espiões da CIA, a principal agência de inteligência dos Estados Unidos, foram identificados e capturados recentemente no Líbano pelo grupo radical xiita Hezbollah. A informação foi divulgada ontem pela Associated Press (AP), em uma reportagem que não foi contestada pelo governo de Washington e teve como base declarações de autoridades não identificadas.

O relato da AP afirmou também que a CIA estava ciente das possíveis capturas de seus agentes no Líbano e tentara protegê-los. Por essa razão, a agência de inteligência teria suspendido sua atuação no Líbano desde meados do ano.

O primeiro sinal dessa nova "guerra de espionagem" fora emitido em junho pelo xeque Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah. Pela televisão, ele anunciara ter rastreado dois agentes da CIA infiltrados no grupo. Nasrallah também teria informado sobre a captura de outro agente, supostamente europeu ou israelense, mas sem divulgar seus nomes.

A ameaça aos espiões americanos não viria apenas do Hezbollah. Em 2009, sete agentes da CIA foram mortos e outros seis acabaram feridos em um ataque suicida no Afeganistão. Desde o ano passado, a cúpula da agência de inteligência mostra-se determinada a manter o mais alto grau de atenção na área de contraterrorismo. No entanto, mesmo ciente da vulnerabilidade de seus agentes no Líbano, a CIA não pôde evitar que eles fossem pegos nos últimos meses pelo Hezbollah.

Autoridades consultadas pela AP disseram não saber ainda se o governo de Barack Obama cobrará a responsabilidade da agência de inteligência pela perda dos espiões. A CIA trocou de comando em meados deste ano, quando Leon Panetta assumiu a Secretaria de Defesa dos EUA.

Para o posto de diretor da CIA, foi designado o general David Petraeus, ex-comandante das forças americanas no Iraque e no Afeganistão. As escolhas estavam relacionadas com a estratégia antiterror da Casa Branca, voltada a uma maior simbiose entre as ações militares e as de espionagem.

O Hezbollah é considerado pelo Departamento de Estado como o "grupo terrorista mais preparado tecnicamente" e o responsável pelo maior número de americanos mortos desde 2001. Apoiado pelo governo iraniano, o grupo receberia de Teerã entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões ao ano.

Segundo a AP, o Hezbollah utiliza sofisticados softwares para buscar anomalias em bancos de dados de telefones celulares e, com base nessas informações, identifica suspeitos de espionar para o "inimigo".

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