Hezbollah está por trás do assassinato de Hariri, diz canal americano

Emissora cita evidências reunidas pela ONU de que militantes mataram ex-premiê libanês

Reuters

22 de novembro de 2010 | 12h54

BEIRUTE - Investigadores independentes da Organização das Nações Unidas (ONU) dizem ter descoberto o envolvimento de membros da milícia radical libanesa Hezbollah no assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri em 2005, informou a rede americana de notícias CBS, citando fontes do inquérito e documentos.

 

Segundo o canal, as evidências reunidas pela polícia libanesa e pelos investigadores da ONU "apontam para o fato de que os assassinos de Hariri são do Hezbollah".

 

O grupo militante repetidamente nega as acusações. O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, disse neste mês que ele não permitirá a prisão de nenhum membro do grupo.

 

O Hezbollah e diplomatas ocidentais dizem que é esperado um indiciamento contra membros do grupo no final deste ano ou no início de 2010. Os políticos libaneses temem que pode haver uma crise no governo e que o anúncio pode gerar violência, caso membros do Hezbollah sejam indiciados.

 

A CBS informou que obteve evidências por telefones celulares e por outros dispositivos de comunicação relacionados ao caso. A emissora diz que, em 2007, os investigadores pediram a uma empresa britânica que analisasse ligações feitas a partir do Líbano em 2005.

 

"O que os analistas mostraram aos investigadores da ONU foi nada menos que a equipe de matadores que assassinou Hariri, ou pelo menos os telefones que eles carregaram durante toda a operação", informou o canal.

 

O Hezbollah, por sua vez, acusa Israel de estar por trás do assassinato e diz que o Estado judeu forjou as evidências para incriminar o grupo militantes. Nasrallah acusa o tribunal da ONU de estar a serviço de Israel de manter espiões que enviam informações para o país, inimigo do Hezbollah.

 

A morte de Hariri afundou o Líbano em sua pior crise política desde a guerra civil, que durou 25 anos e terminou em 1995. A tensão entre xiitas e sunitas dentro do país ameaçam o estouro de um novo conflito interno.

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