Hezbollah lança maior ataque de mísseis a Israel

A guerrilha libanesa Hezbollah voltou a atacar na manhã (horário local) desta quarta-feira o norte de Israel com o disparo de cerca de 150 foguetes.O grupo afirma ter lançado mais de 200 foguetes. Até a Cisjordânia foi atingida, a mais de setenta quilômetros da fronteira. A ofensiva aconteceu após conflito entre israelenses e guerrilheiros do Hezbollah em hospital na cidade de Baalbeck, onde um líder do Hezbollah, Mohammed Yazbek e mais seis pessoas teriam sido capturadas, segundo fontes israelenses. No conflito, cerca de 11 civis morreram.As sirenes de alarme dispararam em quase 30 localidades e comunidades rurais. Pela primeira vez, a cidade de Beit Shean, a cerca de 50 quilômetros do Líbano, foi atingida. Um israelense morreu na cidade de Nahariya e dezessete pessoas ficaram feridas no território judeu. Ataque atinge a CisjordâniaDois foguetes disparados nesta quarta-feira pela guerrilha xiita libanesa Hezbollah atingiram uma aldeia palestina nos arredores da cidade de Jenin, no norte da Cisjordânia, informou a rádio pública israelense.Segundo a emissora, os foguetes, de fabricação síria, caíram em uma aldeia palestina aos pés do monte Guiboa.Trata-se do ataque mais afastado da fronteira entre Israel e Líbano. O míssil chegou a cerca de 70 quilômetros do local de onde aparentemente foi lançado. Até então, Israel havia sido atingido principalmente por mísseis katyusha. Acredita-se que os mísseis que atingiram cidades mais afastadas sejam do tipo khaybar, de mais longo alcance.Israel amplia ataquesA incursão israelense na cidade de Baalbeck é a primeira realizada com tropas transportadas por helicóptero. A ação foi a mais distante do território judeu. O exército israelense afirma que dez guerrilheiros foram mortos e que vários foram capturados, inclusive um dos líderes do movimento, Mohammed Yazbek. Segundo o Hezbollah, a operação israelense foi frustrada e os capturados são "cidadãos, não combatentes". Na ação, cerca de 11 civis morreram.Baalbeck, no centro do Vale de Bekaa, é um dos principais redutos do Hezbollah. A operação israelense tinha como objetivo mostrar a força de Israel, segundo o comandante-em-chefe do Exército israelense, general Dan Haalutz. Os israelenses cercaram um hospital onde guerrilheiros se escondiam, informou a CNN."Não tínhamos a intenção de capturar ninguém em particular, simplesmente tínhamos muita informação e quisemos mostrar a capacidade de Israel de chegar a qualquer lugar", disse.O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou que o hospital era um "disfarce" do grupo guerrilheiro. O Hezbollah declarou que o hospital estava vazio na hora da batalha. Testemunhas afirmaram que a construção ficou parcialmente destruída após aproximadamente uma hora de conflito. Nesta quarta-feira, oito mil soldados israelenses iniciaram o primeiro dia de intensa ofensiva terrestre. Militares israelenses afirmaram que as tropas estão passando por todas as vilas para eliminar a guerrilha do Hezbollah. Retomada dos bombardeiosHalutz afirmou nesta quarta-feira que a possibilidade de retomar os bombardeios aéreos sobre centros urbanos libaneses, inclusive sobre Beirute, está sendo avaliada, após a interrupção decretada no domingo pelo primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert."Estamos considerando ataques mais ao norte, inclusive a Beirute. Acredito que o assunto será submetido à autorização no prazo de um ou dois dias", disse o militar em entrevista coletiva na região fronteiriça entre Israel e Líbano.A decisão depende de Olmert, que se comprometeu com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, a interromper os ataques por 48 horas após o massacre de Qana, no qual morreram cerca de 60 civis, mais da metade crianças.O prazo terminou na madrugada de terça às 2h (20h de Brasília), mas, até agora, a Força Aérea não voltou a atacar centros urbanos libaneses.Segundo o boletim diário do Exército, as aeronaves israelenses têm sido usadas para dar cobertura a suas forças em terra e para destruir posições da guerrilha libanesa. Segundo o Exército, ocorreram mais de 40 ataques desse tipo nas últimas 24 horas.Resistência do Hezbollah"Não nos surpreendemos com a capacidade ofensiva (do Hezbollah)", disse Halutz, que afirmou que o tempo necessário para neutralizar o Hezbollah "é o que se esperava desde o princípio"."Conseguimos destruir uma grande parte dos lançadores de foguetes de médio e longo alcance, mas há dificuldades para localizar as de curto alcance", acrescentou.A imensa maioria dos foguetes disparados nesta quarta-feira contra o norte de Israel é de pequenos foguetes Katyusha de 122 milímetros. Também foi registrado o impacto de pelo menos um foguete na cidade de Beit Shean, a cerca de 50 quilômetros da fronteira com o Líbano."Isso não é um assunto de dois ou três dias", limitou-se a dizer o general.O alto comando calculou o número de milicianos do Hezbollah mortos desde o começo das hostilidades no dia 12 de julho em cerca de 300. Segundo a milícia xiita, entretanto, esse número seria de 43 milicianos.Texto atualizado às 12h43

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