Hezbollah mata 11 e ameaça atacar Tel-Aviv

Guerrilheiros do Hezbollah mataram onze israelenses nesta quinta-feira, depois de ataques com foguetes contra o território israelense e embates na região fronteiriça entre os dois países. Oito civis morreram ao norte de Israel vítimas de bombardeios promovidos pelo grupo xiita e três soldados foram mortos ao sul do Líbano. As forças armadas de Israel disseram ter matado dezenas de guerrilheiros do Hezbollah em ataques por terra, e após vários dias de calma, os bairros do sul de Beirute, redutos do Hezbollah, foram bombardeados novamente nesta madrugada. Além disso, aviões de combate sobrevoaram a capital libanesa em baixa altitude.No sul do Líbano, três militantes islâmicos teriam sido mortos em bormbardeios israelenses. Os civis israelenses morreram em bombardeios com 132 foguetes disparados nesta quinta-feira pelo Hezbollah contra o norte de Israel. Três pessoas morrera em Acre e três em Maalot. Não ficou claro onde os outros dois civis foram mortos. Israel disse que os três soldados morreram e que outro ficou seriamente ferido, quando um tanque foi atingido por um foguete, danificando seriamente o veículo.Segundo a imprensa libanesa, os caças-bombardeiros israelenses também atacaram a região de Al Baiada e várias áreas do Vale de Bekaa. Também nesta quinta-feira, o líder do grupo xiita, Hassan Nasrallah, ofereceu um cessar-fogo nos ataques com foguetes contra cidades israelenses caso Israel cancele seus ataques contra alvos libaneses. Ainda assim, ele também ameaçou bombardear Tel-Aviv se Israel atacar o centro de Beirute. "Se atacarem nossa capital, nós bombardearemos a sua Tel-Aviv", ameaçou Nasrallah em entrevista divulgada pela televisão Al-Manar, órgão de comunicação do Hezbollah."Vocês atacam nossas cidades, vilas, civis e nossa capital. Nós reagiremos", enfatizou o xeque. "No momento em que vocês deciditem parar sua campanha, nós não atiraremos foguetes contra qualquer cidade ou acampamento israelense."Ataque a QanaEm um relatório sobre o bombardeio israelense na vila de Qana, no domingo, a organização de direitos humanos novaiorquina Human Rights Watch informou que reexaminou os detalhes sobre ataque e encontrou apenas 28 mortos, metade do número apresentado inicialmente por organizações libanesas. Treze pessoas ainda estão desaparecidas. Fontes da Cruz Vermelha do Líbano e da Defesa Civil chegaram a mesma conclusão: 28 pessoas morreram. Segundo o chefe da Cruz Vermelha, George Kitane, entre os mortos, 19 eram crianças.Na terceira semana de conflito, seis brigadas israelenses - ou cerca de 10 mil soldados -, foram alocados ao sul do Líbano para lutar contra centenas de guerrilheiros do Hezbollah em batalhas que prometem ser amargas e longas. Os militares tem por objetivo criar uma faixa de segurança no sul do Líbano até a chegada de uma eventual força internacional à região. Em seu pronunciamento, Nasrallah disse ainda que os guerrilheiros infligiram "grandes baixas" entre as tropas israelenses. Ele também afirmou que o Hezbollah "lutará até o último respiro ou a última bala".Para Israel, no entanto, as baixas não significam que sua ofensiva no sul do Líbano tenha falhado.Hezbollah promete lutar até o fimMais cedo nesta quinta-feira, o porta-voz do Hezbollah, Hussein Rahal, havia assegurado em entrevista à televisão Al Jazera que sua organização só aceitará e respeitará um cessar-fogo quando todas as tropas israelenses se retirarem do Líbano."A declaração de um cessar-fogo não cabe ao povo libanês enquanto houver um só soldado israelense em território libanês", disse Rahal.Apesar dos esforços diplomáticos terem falhado até agora para conseguir o fim da guerra, diplomatas disseram que os Estados Unidos e a França estão trabalhando em duas resoluções na Organização das Nações Unidas (ONU) para finalizar o impasse.A primeira resolução irá pedir o cessar-fogo imediato e tratará de medidas políticas para o acabar com a disputa a longo termo. A segunda resolução irá negociar a ida de uma força multinacional à fronteira de Israel e Líbano, além de tratar de outras medidas a longo prazo.O rei da Jordânia, Abdullah II, um aliado chave dos Estados Unidos, disse que a prolongada batalha enfraqueceu os líderes moderados do Oriente Médio e avisou que mesmo que o Hezbollah seja destruído, se Israel não oferecer uma solução aos problemas dos palestinos, do Líbano e da Síria, "outro Hezbollah surgirá em um ano ou dois, talvez na Jordânia, na Síria, no Egito ou no Iraque".

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