Hezbollah nega participação na morte de Hariri

Líder do grupo militante refuta evidências apresentadas pela ONU sobre o assassinato

AE, Agência Estado

28 de novembro de 2010 | 16h03

BEIRUTE - O líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, disse neste domingo, 28, que as evidências encontradas pelos investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) que implicam o militantes do grupo no assassinato do ex-primeiro ministro do Líbano Rafik Hariri não têm valor.

 

O Tribunal Especial para o Líbano, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para investigar a morte de Hariri num atentado em Beirute em 2005, deve formalizar a acusação ainda este mês.

 

A corte manteve silencio sobre os possíveis suspeitos, mas reportagens publicadas em veículos internacionais, como a revista alemã Der Spiegel, afirmam que a acusação deve pesar sobre membros do Hezbollah. A suspeita tem como base a análise de chamadas telefônicas de todos os celulares utilizados nas redondezas do hotel St. George, onde a comitiva de Hariri foi atacada.

 

O tribunal da ONU destinado a processar os assassinos de Hariri causou grandes divisões dentro do governo libanês, que inclui o Hezbollah e blocos liderados pelo primeiro ministro Saad Hariri, filho da vítima. Saad Hariri apoia o tribunal, enquanto o Hezbollah acusa a ONU de ter baseado o seu inquérito em falsos testemunhos.

 

Nasrallah avisou hoje que seu grupo "cortará as mãos" de qualquer pessoa que tentar prender participantes do grupo. O líder do Hezbollah acusou Israel de ter grampeado celulares e enviado mensagens de texto falsas para incriminar seus membros. "Essa corte está trabalhando na direção de facilitar a acusação por ato premeditado. É um veredicto politizado", afirmou Nasrallah.

 

A morte de Hariri afundou o Líbano em sua pior crise política desde a guerra civil, que durou 25 anos e terminou em 1995. A tensão entre xiitas e sunitas dentro do país ameaçam a deflagração de um novo conflito interno. As informações são da Associated Press.

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