Hezbollah obtém maioria no Parlamento libanês

BEIRUTE

, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

O Hezbollah assegurou ontem a maioria no Parlamento libanês e poderá eleger primeiro-ministro o magnata das telecomunicações Najib Mikati. O atual ocupante do cargo, Saad Hariri, afirmou que não participará de uma coalizão comandada pelo grupo islâmico xiita. Cerca de 500 partidários de Hariri protestaram nas ruas de Beirute.

Após o protesto, os manifestantes anunciaram para hoje um "dia de fúria", acusando o movimento pró-Irã de tentar colocar o governo do Líbano sob o controle de Teerã. "O golpe que o Hezbollah está pondo em prática é uma tentativa de pôr o gabinete do primeiro-ministro sob o controle do Wilayat al-Faqih (órgão clerical iraniano)", declararam em um comunicado.

Ao conseguir o apoio do líder druso Walid Jumblatt, a coalizão representada por Mikati obteve os 65 assentos necessários para elegê-lo primeiro-ministro - antes do apoio de Jumblatt e de Mikati, o Hezbollah e seus partidários controlavam 57 cadeiras das 128 do Parlamento libanês.

Beirute entrou em crise política depois que o Hezbollah e seus aliados retiraram o apoio ao gabinete de Hariri, no dia 12.

O movimento islâmico xiita não admite que o governo libanês aceite os resultados das investigações do Tribunal Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Líbano sobre o atentado que matou o ex-premiê Rafik Hariri em fevereiro de 2005. Acredita-se que a Corte indiciará membros do Hezbollah pelo ataque com carro-bomba. A organização xiita e seus aliados negam envolvimento na ação e culpam Israel pelo assassinato.

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse que qualquer grupo político poderá integrar a coalizão comandada por Mikati, um empresário de origem sunita. / AP, AFP e REUTERS

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