Hezbollah pressiona por participação no gabinete libanês

O Hezbollah ameaça realizar protestos de rua para forçar a antecipação das eleições no Líbano se não forem atendidas suas demandas por um gabinete de "unidade nacional", que daria a seus militantes e aliados o poder de veto sobre as principais decisões governamentais. A manobra reflete a pressão do grupo xiita para consolidar seu poder político oriundo da sua auto-proclamada vitória na recente guerra com Israel. Aparentemente, o esforço irá exacerbar a já tensa situação política do Líbano, onde o governo do premier Fuad Saniora, apoiado pelo Ocidente, já recusou pedidos do Hezbollah para renunciar e permitir a formação de um novo gabinete. As manifestações também poderiam levar à violência, já que grupos pró-governo alertam sobre a possibilidade de confrontos com militantes nas ruas. "Nosso conceito de governo de unidade nacional é o de todas as forças do Líbano presentescom uma participação atual e séria, não uma participação estética", disse o líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, em uma entrevista de três horas na televisão do grupo "Al Manar", na terça-feira à noite. Nasrallah afirma que o Hezbollah e seus aliados devem ter um terço das cadeiras do gabinete libanês, que conta com 24 membros. Isso significaria que o grupo e seus aliados teriam poder de veto sobre decisões importantes. Se o grupo conseguir os ministérios, seria um crescimento significativo do Hezbollah no gabinete, onde ele, e seu aliado xiita Amal, tem atualmente cinco ministérios. Tal poder de veto e influência na tomada de decisões iria aumentar de forma significativa a sua influência no parlamento, onde o grupo e seus aliados têm menos da metade das cadeiras, enquanto a maioria anti-Síria possui 70 Nasrallah disse que ele gostaria de resolver a questão através de conversas. Mas caso não consiga por essa via, o xeque disse que o Hezbollah daria início a ações políticas e de rua contra o governo a partir de 13 de novembro. O grupo é extremamente organizado e disciplinado politicamente. Suas manifestações reúnem centenas de milhares de apoiadores. O premier Saniora rejeitou diversas vezes a idéia de um novo governo, afirmando que o atual gabinete conseguiu muito para o país, e fez o seu melhor para acabar com a guerra. Seus aliados dizem que o Hezbollah quer impedir a criação de um tribunal internacional para julgar os suspeitos do assassinato do ex-premier Hafik Hariri, em fevereiro de 2005. O assassinato despertou grandes manifestações de rua e fez com que a Síria retirasse suas tropas do Líbano, sob pressão internacional. O parlamento, no entanto, não teve força para depor o presidente pró-síria Emile Lahoud, ou eliminar a influência dos aliados da Síria, como o Hezbollah. Em resposta ao ultimato de Nasrallah, apoiadores do governo ameaçam realizar contra-protestos, criando receios de novos confrontos entre libaneses xiitas, sunitas, drusos e cristãos, como ocorreu durante guerra civil entre 1975-90.

Agencia Estado,

01 Novembro 2006 | 15h08

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