Hillary admite que muro não impedirá migração e tráfico

Em seu último dia no México, secretária de Estado dos EUA diz que violência chegou a um ponto ?intolerável?

Reuters, NYT e AFP, MONTERREY, MÉXICO, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, admitiu que o muro que o governo americano está construindo na fronteira com o México para impedir o fluxo ilegal de imigrantes, drogas e armas "não resolverá o problema". "Temos de encontrar melhores soluções", disse ela em entrevista publicada ontem pelo jornal mexicano Milenio. Hillary encerrou ontem uma viagem de dois dias ao México. Na capital, ela visitou a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe e o centro de comando da polícia federal mexicana, onde assistiu à simulação de uma ação antiterrorista com helicópteros Blackhawk.No fim, Hillary anunciou que os EUA abrirão uma linha de crédito de US$ 80 milhões para que a polícia mexicana financie a compra de mais helicópteros Blackhawk com radares e sensores de última geração.Em seguida, ela seguiu para a cidade de Monterrey, no norte do México, uma das mais afetadas pela atuação dos cartéis de drogas, onde ela discursou para uma plateia de estudantes universitários. Durante a palestra, ela afirmou que a violência causada pelo narcotráfico é "intolerável" e já afeta cerca de 60 milhões de americanos que vivem em Estados na fronteira entre os dois países."O Departamento de Estado está trabalhando com várias empresas, entre elas o Google e o YouTube, para desenvolver maneiras inovadoras e usar a tecnologia para combater a corrupção e os cartéis sem colocar vidas em risco", disse a secretária de Estado, que lamentou o fato de os traficantes mexicanos faturarem "US$ 25 milhões com o comércio ilegal de armas e drogas nos EUA".No México, Hillary ouviu repetidas vezes das autoridades locais a principal queixa dos mexicanos: o fato de 90% do armamento dos cartéis da droga vir dos EUA. Ontem, ela admitiu que foi um erro deixar expirar uma lei que proibia a venda de fuzis de assalto em território americano."Essas armas de assalto, de tipo militar, não deveriam estar nas mãos de ninguém nas ruas", disse a secretária de Estado, que havia apoiado a proibição quando era senadora por Nova York. "Entre 1994 e 2004, quando a lei esteve em vigor, nossa polícia era capaz de conter o crime porque não tinha de se preocupar com o fato de esse tipo de armamento chegar às mãos de criminosos."OFENSIVAHillary ClintonSecretária de Estado dos EUA"O Departamento de Estado está trabalhando com várias empresas, entre elas o Google e o YouTube, para desenvolver maneiras inovadoras e usar a tecnologia para combater a corrupção e os cartéis sem colocar vidas em risco"

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