Hillary anuncia mais sanções contra Pyongyang

Em visita a Seul, secretária de Estado dos EUA reforça aliança com Coreia do Sul e busca enviar recado para o Norte por meio de exercício militar

Cláudia Trevisan,correspondente / Pequim, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou ontem a imposição de sanções adicionais contra a Coreia do Norte, apontada por Washington e Seul como responsável pelo ataque ao navio sul-coreano Cheonan, que provocou a morte de 46 marinheiros há quatro meses.

Durante visita ao país asiático, Hillary deu poucos detalhes sobre as novas medidas punitivas contra o regime de Pyongyang, que já enfrenta sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU em 2006 e 2009, em resposta à realização de testes nucleares.

Segundo ela, os EUA vão intensificar as restrições ao comércio de armas e ao tráfico de dinheiro e produtos de luxo falsos produzidos na Coreia do Norte, além de fortalecer a aplicação das sanções que estão em vigor. No domingo, cerca de 8.000 soldados americanos e sul-coreanos darão início a um maciço exercício militar no Mar Amarelo, que terá o objetivo de mostrar a Pyongyang que os dois países estão prontos para reagir a eventuais ataques do norte.

Hillary e o secretário de Defesa americano, Robert Gates, estiveram ontem Panmunjom, a área da fronteira entre os dois países na qual soldados sul e norte-coreanos ficam frente a frente. Essa foi a primeira visita de Hillary e a terceira de Gates ao local. A visita marcou os 60 anos do início da Guerra da Coreia (1950-1953), que opôs os dois lados da península e deu origem à aliança entre Washington e Seul. Os americanos apoiaram a Coreia do Sul, enquanto a China entrou no confronto em defesa da Coreia do Norte.

A passagem por Panmunjom também representou uma demonstração de "solidariedade" a Seul, quatro meses depois do naufrágio do Cheonan.

Tensão. Apesar do alto tom das acusações da Coreia do Sul e dos EUA contra o regime do norte, o CS da ONU emitiu uma declaração amena sobre o assunto no dia 9, no qual evitou condenar Pyongyang pelo ataque e pediu a solução pacífica das divergências na Península Coreana.

Entre os cinco membros permanentes do CS está a China, principal aliada da Coreia do Norte - os demais são EUA, Rússia, Inglaterra e França.

Batizado de "Espírito Invencível", o exercício militar que terá início no domingo mobilizará 200 jatos, 20 navios e o porta-aviões USS George Washington.

Em razão do forte protesto de Pequim, os dois países abandonaram nessa semana a intenção de realizar atividades militares no trecho do Mar Amarelo que separa a China da Península Coreana. Os exercícios se concentrarão na região leste.

No último fim de semana, o Exército de Libertação Popular realizou atividades militares na costa nordeste, próxima da Coreia. Ontem, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Qin Gang, afirmou que o governo de Pequim está "preocupado" com as atividades marítimas conjuntas que terão início no domingo. "Nós conclamamos todos os lados a manterem a calma, exercerem a contenção e não fazerem nada que agrave as tensões na região."

Impasse

A fronteira marítima entre as duas Coreias é um dos principais pontos de discussão entre os dois países. Pyongyang não reconhece o limite marítimo imposto pós-2ª Guerra.

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