Hillary assume culpa por falha na Líbia

Horas antes de debate, secretária tenta neutralizar ação de Romney contra Obama

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / HEMPSTEAD, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2012 | 03h07

O democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney fariam na noite de ontem o debate considerado definitivo para as eleições presidenciais do dia 6. O evento colocaria o atual presidente dos EUA e seu desafiante diante de 80 eleitores indecisos e ávidos por respostas precisas.

Sem saída senão a de vencer o debate para manter-se na Casa Branca, Obama recebeu na noite de segunda-feira um calculado auxílio da secretária de Estado, Hillary Clinton. Em visita oficial ao Peru, ela se declarou à rede de televisão CNN como única responsável pela falha na segurança do Consulado dos EUA em Benghazi, atacado por extremistas islâmicos em 11 de setembro.

O atentado provocou a morte do embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, e de outros três funcionários do Departamento de Estado. "Assumo a responsabilidade. Sou a secretária de Estado, com 60 mil funcionários no mundo todo. É como uma grande família. É doloroso, absolutamente doloroso", afirmou ela.

A iniciativa de Hillary, aos olhos da equipe de Romney, não diluiu a responsabilidade da Casa Branca. Houve tempo suficiente, ontem, para a preparação de Romney para uma nova carga de artilharia. A primeira viera de seu companheiro de chapa, Paul Ryan, durante o debate com o vice-presidente, Joe Biden, na semana passada. "Fiquem atentos ao que ele vai dizer", antecipou um assessor do candidato republicano à rede de televisão FoxNews horas antes do debate.

A questão da Líbia, para Romney, tem sido empregada para desgastar a imagem de liderança internacional de Obama e para convencer o eleitorado do propósito do atual governo de enfraquecer as forças militares dos EUA.

Este seria um tema que o republicano, inevitavelmente, traria ao debate como meio de estimular uma parcela já conquistada de eleitores - conservadores radicais, especialmente militares e veteranos - a comparecer às urnas no dia 6, ou a votar antecipadamente. Mas, tanto na plateia de indecisos quanto entre os 60 milhões de telespectadores, as questões mais delicadas continuam a ser a economia enfraquecida, a taxa de desemprego ainda elevada (7,8% em setembro) e a redução do déficit e da dívida pública (US$ 16 trilhões).

As três questões estão amarradas às propostas dos candidatos de mudança nas regras da tributação federal. Obama mostrara-se apático e desmotivado ao abordar esses temas no primeiro debate, em Denver (Colorado), no dia 3. Romney, inesperadamente ativo e dono da situação, trouxe uma visão menos radical daquela mantida por ele desde o início do ano. O nó continuou atado para o debate de ontem: o preço que a classe média americana pode vir a pagar pela política de ajuste fiscal de cada candidato e o que vai realmente ganhar com suas propostas de geração de empregos.

Entre os membros do eleitorado indeciso e de classe média, o ator James Foote passeava pelo câmpus da Hofstra University, o local do debate, vestido como o ex-presidente Theodore Roosevelt (1858-1919) - o responsável pela construção do Canal do Panamá.

Em 1912, desligado dos republicanos, fundou o Partido Progressista, propagado por ele como Bull Moose (Alce). "Uma grande democracia tem de ser progressista", discursou Foote aos estudantes. "Sou daqueles ainda indecisos e que acham que o governo não pode ser achacado pelo Congresso", completou ao Estado, ao "mandar lembranças" ao general Cândido Rondon. Roosevelt fez com Rondon uma expedição à Amazônia entre 1913 e 1914.

As eleições antecipadas - por correio ou direto nas urnas - estão em curso em 31 Estados americanos e tendem a diminuir o impacto do próximo confronto, marcado para segunda-feira, em Boca Raton, na Flórida. Assessores de campanha previam que cada palavra e cada gesto teria peso redobrado.

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