REUTERS/Gary Cameron
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Hillary assume responsabilidade por ataque ao consulado americano em Benghazi

Em uma sessão na comissão da Câmara dos Representantes que durou 11 horas, ela afirmou que, diante das informações disponíveis na ocasião, o governo reagiu da melhor forma possível

O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2015 | 11h43

WASHINGTON - A ex-secretária de Estado e pré-candidata às eleições presidenciais democratas Hillary Clinton assumiu na quinta-feira sua responsabilidade pelo ataque ao consulado americano em Benghazi, na Líbia, em 2012 e garantiu que fez o que pode para enfrentar a situação.

Em uma sessão que se estendeu por 11 horas na comissão da Câmara dos Representantes, que investiga as mortes do embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, e outros três funcionários, ela afirmou que, considerando as informações disponíveis na ocasião, a reação do governo americano foi a melhor possível.

"Não tenho qualquer dúvida de que fizemos o melhor possível, levando em conta a informação que tínhamos à época", afirmou Hillary, que era a chefe da diplomacia americana na época do ataque, na comissão especial de congressistas, convocado para analisar o atentado contra o consulado dos EUA na Líbia.

De todos os depoimentos ouvidos pela comissão, o de Hillary foi o mais longo. Ele teve início às 10h locais e terminou às 21h.

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Não tenho qualquer dúvida de que fizemos o melhor possível, levando em conta a informação que tínhamos à época
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Quando o presidente da comissão, o congressista republicano Trey Gowdy, declarou por concluída a sessão, a ex-secretária de Estado já estava quase sem voz após um dia de atividade intensa. Houve apenas três intervalos para comer, esticar as pernas e para os congressistas votarem.

Hillary foi alvo de duras perguntas por parte dos legisladores republicanos, que acusam a administração Obama de não contar toda a verdade sobre o que ocorreu no episódio.

E-mails. Somou-se à polêmica sobre o atentado o uso que a ex-secretária de Estado fez de sua conta pessoal de e-mail para assuntos de segurança, tema sobre o qual também foi questionada.

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Eu pensei mais sobre isto do que todos os senhores e as senhoras juntos
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Depois de serem revisados pelo Departamento de Estado para não incorrer na publicação de informação sigilosa, uma grande parte das mais de 55 mil páginas de e-mails de Hillary já está disponível. Os republicanos da comissão questionaram a ex-secretária de Estado pela ausência dos e-mails em seus arquivos relativos a um ataque prévio ocorrido na Líbia em abril de 2012, e a criticaram pela falta de interesse sobre as crescentes tensões no país do norte da África.

A pré-candidata democrata explicou que "a maior parte" de seu trabalho como chefe da diplomacia americana não era realizado por meio de e-mails, mas por reuniões pessoais e ligações telefônicas.

Os republicanos fizeram duras acusações à Hillary, que se apoiou nas investigações que ocorreram nos últimos três anos para afirmar que sua gestão não foi irregular. Emocionada em certos momentos da audiência, a também ex-primeira-dama afirmou aos congressistas "ter perdido mais horas de sono" por causa do ocorrido do que todos os políticos presentes juntos.

"Eu pensei mais sobre isto do que todos os senhores e as senhoras juntos", reiterou. Hillary, que manteve a calma apesar dos ataques, foi fortemente questionada pelo congressista Jim Jordan, que a acusou de esconder intencionalmente informações da população.

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Sinto muito que isto não coincide com sua narrativa, congressista. Posso dizer apenas quais foram os fatos
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Após o ataque, as primeiras informações divulgadas pelo governo dos EUA faziam referência a protestos espontâneos provocados pela publicação de um vídeo anti-islâmico, mas o Executivo se desmentiu posteriormente.

"A senhora sabia a verdade e isso não é o que chegou ao povo americano. Não há provas de um protesto espontâneo e a senhora escolheu o vídeo. Onde se originou? De vocês", alegou Jordan.

Ela respondeu que o governo americano tinha razões para acreditar que o vídeo provocou os protestos, já que algo parecido havia acontecido dias antes nas ruas do Egito. No entanto, negou ter criado uma explicação falsa de propósito.

"Sinto muito que isto não coincide com sua narrativa, congressista. Posso dizer apenas quais foram os fatos", se defendeu.

Muitos consideram que a insistência republicana em abordar este assunto tem como motivação interesses eleitorais. Em vez de esclarecer os fatos, eles pretendem prejudicar a candidatura presidencial de Hillary.

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Continuarei falando e fazendo tudo que puder em qualquer posição que eu estiver para honrar a memória daqueles que perdemos
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"O propósito desta comissão é processá-la. Trata-se de uma acusação judicial em ano eleitoral. Já estamos há cinco horas nisto e não soubemos nada novo sobre o que aconteceu em Benghazi", disse o congressista democrata Adam Smith em defesa de Hillary.

A audiência de hoje era a mais esperada pelos republicanos, apesar de diversas comissões do Congresso americano terem feito investigações sobre Benghazi que concluíram que a versão de Hillary é verdadeira.

“Continuarei falando e fazendo tudo que puder em qualquer posição que eu estiver para honrar a memória daqueles que perdemos”, disse Hillary. /EFE e ASSOCIATED PRESS

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