Hillary ataca países críticos a pacto com Bogotá

?Em vez de minar acordo com Colômbia, vizinhos deveriam combater o narcotráfico?, diz secretária

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

Em vez de criticar o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, os países da América Latina deveriam é ajudar no combate às drogas na região. Esse foi o recado duro da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em entrevista ontem, depois de encontro com o chanceler da Colômbia, Jaime Bermúdez. Questionada sobre a falta de esforços da Venezuela para combater o narcotráfico e sobre a oposição do Brasil ao acordo militar entre EUA e Colômbia, Hillary disse: "Eu pediria a mais países da região que nos ajudassem no combate às drogas, em vez de ficarem apenas assistindo de fora, ou criticando o acordo", disse Hillary. A Venezuela afirmou que o acordo militar é uma "ameaça" e disse que vai comprar mais armas da Rússia e aumentar o número de bases na fronteira com a Colômbia. O Brasil também demonstrou desagrado em relação ao acordo. "Este acordo não diz respeito a outros países", disse Hillary. "Trata-se de um acordo bilateral entre Colômbia e EUA para aprofundar a cooperação em segurança."A secretária de Estado voltou a dizer que o acordo não cria nenhuma base americana e não haverá aumento no número de militares dos EUA. "Está claro no acordo o respeito à integridade territorial dos países, soberania e não intervenção."O chanceler colombiano também não poupou alfinetadas aos opositores do acordo. "A comunidade internacional expressa solidariedade para com as vítimas da guerra do narcotráfico e terrorismo, mas poucos países propõem cooperação efetiva. Com os EUA, achamos uma ajuda real." Bermúdez completou: "Seria bom se tivéssemos outros acordos semelhantes na região."Em nota distribuída a jornalistas, o Departamento de Estado afirma que um acordo provisório foi fechado no dia 14 e será assinado após revisão final. O acordo permite acesso dos EUA a três bases aéreas na Colômbia - Palanquero, Apiay e Malambo - a duas bases navais, a duas instalações do Exército e "outras estruturas militares se for de comum acordo".UNASULUm alto funcionário do Departamento de Estado afirmou ontem que os EUA não participarão da reunião do Unasul no final do mês, em Bariloche. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou os americanos para participar e discutirem sobre o uso das bases colombianas. "Os EUA não são integrantes da Unasul e os colombianos são capazes de explicar o acordo", disse o funcionário. Ao ser informado de que se tratava de um convite formal do Brasil, ele disse: "Ainda temos até sexta-feira para responder."

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