Hillary busca chefia do Banco Mundial

Três fontes próximas à secretária de Estado dos EUA confirmam que ela negocia com o presidente Barack Obama a mudança de função em 2012

Reuters, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2011 | 00h00

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, negocia com o governo do presidente Barack Obama deixar seu cargo para assumir a chefia do Banco Mundial. Fontes ligadas à discussão disseram ontem que a chefe da diplomacia americana tem interesse no posto, hoje ocupado por Robert Zoellick, cujo mandato acaba na metade de 2012.

"Ela quer o cargo", disse uma fonte próxima a Hillary. Outras duas pessoas confirmaram o interesse da secretária de Estado na presidência do Banco Mundial. Uma delas afirmou também que Obama estaria disposto a apoiá-la.

Ainda de acordo com essas fontes, uma declaração oficial das intenções de Hillary poderia prejudicar seu papel no Departamento de Estado. Para elas, a imagem de "secretária em fim de gestão" atrapalharia os grandes desafios de política externa de Obama, como a retirada de tropas do Afeganistão, a primavera árabe e as negociações de paz entre israelenses e palestinos.

Não se sabe se o presidente americano a indicaria formalmente para o cargo. Para isso, os 187 membros da organização precisariam aprovar a nomeação. Ao lado do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial é uma da instituições criadas no acordo de Bretton Woods, que desenhou a estrutura geopolítica pós-2.ª Guerra, em 1944. Por um acordo tácito, a presidência do fundo é ocupada por um europeu e a do banco cabe a um americano. Com as mudanças no cenário econômico mundial desde a crise financeira de 2008, países emergentes, como o Brasil, a China e a Índia, tentam desafiar essa regra.

FMI. Enquanto a sucessão no Banco Mundial ainda está distante, o FMI está em pleno processo sucessório, após a demissão de Dominique Strauss-Kahn, preso nos EUA acusado de crimes sexuais. A candidata europeia é a ministra de Finanças da França, Christine Lagarde. Os EUA ainda não a respaldaram publicamente, mas o devem fazer em breve. Nenhuma das instituições foi chefiada por mulheres.

O porta-voz da secretária de Estado Philippe Reines negou que ela queira o posto, ou que tenha discutido essa intenção com o governo americano.

Futuro incerto. Hillary já tinha dado declarações nas quais descartou a possibilidade de continuar no Departamento de Estado em um eventual segundo mandato de Obama. Caso ela deixe o cargo em 2012, um dos favoritos para substituí-la é o senador democrata John Kerry. Derrotado por George W. Bush nas eleições de 2004, ele chefia a Comissão de Relações Exteriores do Senado e é próximo a Obama.

O presidente americano tem elogiado publicamente o trabalho de Hillary na chefia da diplomacia do país. Segundo ele, sua ética de trabalho e brilhantismo lhe deram as credencias para a função. O Banco Mundial financia projetos de desenvolvimento em países pobres. Entre eles, estão investimentos contra a miséria e reconstrução de países afetados por guerras.

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