Hillary chega à China com promessa de mais diálogo

Apesar de tensão por direitos humanos, confronto deve ser evitado

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chega hoje à China disposta a ampliar a agenda de diálogo entre Washington e Pequim, concentrada nos últimos oito anos na questão econômica. Sua intenção é que temas como aquecimento global e direitos humanos ganhem peso e passem a integrar de maneira permanente os mecanismos institucionais de consulta entre os dois países.Como pré-candidata à presidência e primeira-dama, Hillary fez duras críticas à situação dos direitos humanos na China e defendeu que o ex-presidente George W. Bush boicotasse a cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim. Agora, como secretária de Estado, ela se esforçará para ampliar os canais de diálogo com os chineses e fortalecer a relação bilateral que ela já qualificou de "a mais importante do século 21". Durante a visita, Hillary não deverá adotar um tom de confronto e é provável que ela trate da questão dos direitos humanos de maneira privada em encontro com autoridades chinesas. As palavras de ordem de sua passagem por Pequim serão "colaboração" e "diálogo".A escolha da Ásia como destino da primeira viagem de Hillary é reflexo da crescente importância da região para o mundo e os EUA em particular. "Acreditamos que nosso futuro está inextricavelmente ligado", disse a secretária na semana passada, antes de iniciar sua viagem por Japão, Indonésia, Coreia do Sul e China.Apesar de ter reafirmado em Tóquio a natureza estratégica da relação entre EUA e Japão, a visita a Pequim é o centro de sua passagem pela região. Em discurso no início do mês, Hillary ressaltou a importância do país para os americanos: "Mesmo com nossas diferenças, continuaremos a buscar um relacionamento positivo com a China, que acreditamos ser essencial para a paz, progresso e prosperidade futuros dos EUA."Mas o esforço de diálogo não evitará conflitos. Yan Xuetong, diretor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade de Tsinghua, acredita que a crise econômica agravará a tensão entre os dois países na área comercial, com a adoção de medidas protecionistas nos EUA e o aumento da pressão para que Pequim valorize o yuan. O segundo ponto de atrito potencial deve ser a questão dos direitos humanos, à qual os democratas costumam dar importância, disse Yan ao Estado.Wang Yong, da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim, acredita que o relacionamento entre EUA e China no governo de Barack Obama será marcado mais pela continuidade do que pela ruptura em relação aos anos Bush, durante os quais os dois países estabeleceram o Diálogo Econômico Estratégico e trabalharam de um modo que ambos os lados consideravam construtiva.

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