Hillary chega à China sob críticas da imprensa

Meios ligados ao governo chinês chamam EUA de 'criadores de caso' e dizem que secretária de Estado é 'antipática'

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2012 | 03h07

Horas antes de Hillary Clinton aterrissar em Pequim para uma visita oficial, a imprensa estatal acusou Washington de atuar como "furtivos criadores de caso" na região e ressaltou que "muitos chineses não gostam" da secretaria de Estado dos EUA.

"A antipatia e a cautela que ela pessoalmente despertou no público chinês não respondem necessariamente ao interesse diplomático dos EUA", afirmou o editorial publicado no Global Times, jornal ligado ao Partido Comunista. O título já evidenciava o tom hostil. "Secretária Clinton, a pessoa que reforça a desconfiança mútua EUA-China".

A agência oficial de notícias Xinhua usou o artigo assinado por um especialista em relações internacionais para criticar os americanos. "Os EUA deveriam abandonar o papel de furtivos criadores de caso que se escondem atrás de algumas nações da região mexendo os pauzinhos", escreveu o articulista. Nada é veiculado pela agência Xinhua sem a concordância das autoridades de Pequim.

O principal tema da visita de Hillary serão os conflitos territoriais que opõem China e seus vizinhos do leste e sudeste asiático, em especial Japão, Filipinas e Vietnã. Antes de chegar a Pequim, a secretária de Estado defendeu, na Indonésia, a criação de um "código de conduta" para solucionar disputas territoriais na região, o que enfureceu os chineses.

As autoridades de Pequim sustentam que Washington não deve interferir em assuntos de sua vizinhança e afirmam que a China tem soberania "incontestável" sobre territórios também reivindicados por outros países.

"Nós observamos que os EUA declararam várias vezes que não tomam partido nos conflitos da região", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hong Lei, em comunicado ontem. "Nós esperamos que os EUA sejam fiéis a suas promessas e façam mais para o benefício da paz e da estabilidade regionais e não o contrário."

A China não se mostra disposta a negociar e tem adotado uma posição cada vez mais agressiva, com o envio de patrulhas a águas em disputa e o estabelecimento de um posto militar em uma das ilhas em litígio. Na Indonésia, Hillary defendeu que os conflitos sejam solucionados pela negociação, "sem coerção, sem intimidação e, certamente, sem o uso da força".

Antipatia. Essa deve ser a última visita da secretária de Estado à China antes das eleições presidenciais americanas. Hillary foi a principal defensora da política do "eixo asiático" lançada há um ano, pela qual o governo democrata busca uma presença mais ativa dos EUA na Ásia.

Muitos em Pequim veem a estratégia como uma tentativa de isolar a China em sua própria região. Hillary também despertou antipatia do Partido Comunista por declarações em defesa dos direitos humanos e críticas à censura na imprensa e na internet.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.