Hillary Clinton planeja anúncio de apoio a Barack Obama

A democrata Hillary Clintonelaborava na sexta-feira seus planos para um momento que nãodesejou viver: o de dar apoio à campanha presidencial doadversário de partido Barack Obama, apoio esse que, segundoestrategistas da legenda, precisa ser contundente a fim deevitar rachas internos. Hillary e Obama reuniram-se a portas fechadas naquinta-feira à noite, na casa da senadora democrata DianneFeinstein, em Washington, mas nenhum dos dois lados forneceudetalhes sobre a conversa. A ex-pré-candidata, senadora pelo Estado de Nova York, deveabandonar a corrida presidencial oficialmente no sábado, nacapital norte-americana, e declarar seu apoio a Obama,colocando fim, dessa forma, a uma disputa muitas vezes acirradapara regressar à Casa Branca, onde ficou durante oito anos comomulher do presidente Bill Clinton. Obama conquistou a vaga do partido na terça-feira, aogarantir o número necessário de delegados para a convençãodemocrata, que ocorre em agosto. Os aliados do agora candidato aguardam com ansiedade paraver o tom da declaração de apoio a ser feita por Hillary. O discurso dela na terça-feira, depois das prévias emDakota do Sul e em Montana -- as últimas das votações estaduaisiniciadas cinco meses atrás --, provocou desconfiança porque asenadora não reconheceu imediatamente sua derrota. Algunsafirmaram que Hillary soou então como uma má perdedora. Os dois agora realizam uma delicada negociação debastidores. Hillary disse estar aberta a concorrer comovice-presidente, mas insiste que não tenta obter essa vaga. Após uma intensa batalha interna que durou 16 meses, Obamaprecisa do apoio total da ex-adversária para convencer ossimpatizantes dela a lhe darem apoio no que pode se transformarem uma disputa competitiva com o republicano John McCain para aeleição presidencial de novembro. DÍVIDA DE CAMPANHA A senadora, frustrada com a derrota e precisando de umtempo para descansar após a longa disputa, tem de conseguir aajuda de Obama para amortizar a imensa dívida acumulada por seucomitê de campanha. O estrategista democrata Doug Schoen, que trabalhou para ogoverno Clinton, disse ser provável que Obama e Hillary tenhamencontrado, na reunião de quinta-feira, uma base comum sobre aqual cooperar. "Na minha opinião, essa foi uma reunião preliminar",afirmou. O comitê de campanha de Obama, na sexta-feira, tentouafastar os boatos sobre o candidato, um senador de 46 anos deidade, anunciar dentro em breve o nome de seu companheiro dechapa. "O importante é fazer isso com cuidado, de forma metódica.Nada vai nos fazer tomar uma decisão precipitada a esserespeito, independente de qual venha a ser a escolha", disse aocanal MSNBC Robert Gibbs, diretor de comunicações de Obama. Ainda assim, entre os simpatizantes de Hillary circulavamapelos para que o candidato escolhesse a senadora. "Bom, eu acho que ela seria uma forte candidata avice-presidente", disse ao canal ABC o senador democrataCharles Schumer, um aliado de Obama. "E há muitos de nós que acreditam nisso. Mas essa é umaescolha a ser feita pelo senador Obama. Ele sabe o que é omelhor porque está comandando a chapa e comandando a campanha." (Reportagem adicional de Ellen Wulfhorst, Caren Bohan eJeff Mason)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.