Hillary critica censura ao Google e irrita China

A ameaça do Google de sair da China e o enfático discurso feito pela secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, na quinta-feira, contra a censura na internet, colocaram Pequim e Washington em rota de colisão. O porta-voz da chancelaria chinesa, Ma Zhaoxu, afirmou ontem que os EUA fazem acusações "sem fundamento" contra a China. Para ele, as declarações de Hillary são "prejudiciais" às relações entre os dois países.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

23 de janeiro de 2010 | 09h51

Pouco mais de uma semana depois de o Google anunciar que pode deixar a China em razão da ação de hackers e da censura, Hillary conclamou as empresas de tecnologia dos EUA a não aceitar restrições ao livre fluxo de informação online. "Isso precisa ser parte de nossa marca nacional", declarou.

Quando criou seu site na China, em 2006, o Google concordou em incorporar em seu sistema de busca os critérios de censura de Pequim, que bloqueia o acesso a informações consideradas "sensíveis" pelo Partido Comunista.

Na semana passada, a empresa afirmou que só permanecerá na China se chegar a um acordo com as autoridades para o oferecimento de seus serviços sem restrições, o que é considerado muito improvável.

Ataques

O discurso feito por Hillary tratou especificamente da liberdade na internet e citou a China como um dos países onde houve retrocesso nessa área no ano passado. Ela mencionou o caso Google e ressaltou que as autoridades chinesas devem investigar as alegações da empresa de que foi alvo de ataques de hackers que operam na China.

O porta-voz da chancelaria respondeu que a internet na China é aberta e disse que a legislação do país proíbe a ação de hackers e a invasão de privacidade dos cidadãos. Mas centenas de sites são inacessíveis no país, incluindo alguns dos mais acessados, como a página de relacionamentos Facebook, o serviço de microblog do Twitter e o YouTube, que exibe vídeos. Nos últimos dois dias, o governo chinês subiu o tom do embate com o Google e acusou a multinacional americana de ser um instrumento da política externa de Washington.

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