Hillary critica líderes árabes em viagem ao Oriente Médio

Secretária de Estado dos EUA diz que cidadãos estão cansados de tanta corrupção e da falta de abertura política

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

Em duras críticas a líderes da Península Arábica, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, advertiu para o risco de expansão do extremismo islâmico e de rebeliões na região caso reformas econômicas e políticas não sejam realizadas urgentemente. Ontem, em Doha, no Catar, ela falou especialmente sobre o Iêmen, um dos principais refúgios da Al-Qaeda no Oriente Médio.

Hillary destacou o fato de os EUA serem o maior doador de recursos financeiros à Autoridade Palestina. Ela não abordou o tema para ganhar a simpatia da plateia formada por diplomatas, autoridades e empresários, mas para criticar o apoio "medíocre" dos países árabes ao fortalecimento de instituições palestinas.

Em um mea culpa, a secretária de Estado dos EUA admitiu que Washington falhou ao tentar convencer Israel e outros países da região a agir de outra forma. Hillary admitiu que Washington carrega uma obrigação desproporcional de resolver os conflitos do mundo.

"Em muitos lugares, de muitas maneiras, os pilares da região estão afundando na areia. O novo e dinâmico Oriente Médio precisa de terra firme para criar raízes e crescer", afirmou. "Se os líderes não oferecerem uma visão positiva e não derem aos jovens os meios de contribuir, outros ocuparão esse vácuo. Elementos extremistas, grupos terroristas e outros que se aproveitam do desespero e da pobreza já estão lá fora apelando por lealdade e influenciando."

Instabilidade. Ao longo dos dois dias de sua viagem por Iêmen, Omã, Emirados Árabes e Catar, a tensão aumentou no Egito e a situação caótica ainda persiste na Tunísia e na Argélia. No Líbano, o governo entrou em colapso com a renúncia de ministros xiitas e cristãos ligados ao Hezbollah.

Hillary disse que existe um cansaço dos cidadãos de vários países árabes com as "instituições corruptas e a ordem política estagnada" na região. Conforme destacou a chefe da diplomacia americana, a população do Iêmen é vista com suspeita por seu governo.

No dia seguinte à sua visita ao país, autoridades iemenitas anunciaram a exigência de uma aprovação prévia para que qualquer cidadão entre em missões diplomáticas no país.

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