Hillary critica líderes do Quênia por não solucionarem crise

Presidente e premiê se envolveram em uma disputa política em 2007 que deixou mais de 1.300 mortos

Associated Press,

05 de agosto de 2009 | 10h37

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, condenou nesta quarta-feira, 5, a corrupção generalizada no Quênia e afirmou que os negócios e o comércio na África não podem crescer sem uma boa administração e uma democracia sólida.

 

Em uma entrevista coletiva, disse que "o verdadeiro progresso econômico da África dependerá de governos responsáveis que recusem a corrupção, apliquem o império da lei e produzam resultados para seus povos". "Isso não interessa somente ao governo, mas também aos negócios", disse Hillary ao presidente Mwai Kibaki e ao primeiro-ministro Raila Odinga, que protagonizaram uma violenta disputa pós-eleitoral, em dezembro de 2007, que deixou cerca de 1.300 mortos e só acabou com a formação de um governo de coalizão.

 

A secretária de Estado criticou duramente os líderes do país por não terem realizado reformas que foram parte de um acordo para compartilhar o poder destinado a acabar com a crise pós-eleitoral, inclusive a falta de julgamentos por conta da violência que tomou conta do Quênia na ocasião. "Lamentavelmente, a solução dessa crise não se traduziu no tipo de progresso político que o povo queniano merece", disse Hillary, acrescentando que a falta de instituições democráticas firmes "permitiram a corrupção, a impunidade, a violência de motivação política e a falta de respeito pela lei".

 

A secretária chegou na terça feira, 4, ao Quênia, terra natal do pai do presidente americano, Barack Obama, onde iniciou um tour de 11 dias por 7 países do continente.

 

Além de se reunir com políticos locais, a secretária participará de um seminário sobre comércio com representantes de países africanos com o objetivo de aumentar os investimentos dos EUA na África.

 

Na quinta-feira, ainda em Nairóbi, ela se encontrará com o presidente da Somália, Sheikh Sharif Ahmed. Hillary deverá reiterar o apoio de Washington ao governo de transição somali, bastante ameaçado por fundamentalistas islâmicos.

 

Viagem

 

Em seguida, Hillary parte para uma visita de três dias pela África do Sul, onde terá uma série de reuniões com a chanceler Maite Nkoana-Mashabane e se encontrará com o ex-presidente Nelson Mandela.

 

Em sua mais longa viagem desde que assumiu a chefia da diplomacia americana, Hillary visitará também Nigéria, Angola, República Democrática do Congo, Libéria e Cabo Verde.

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