Hillary critica Turquia por restrição à liberdade

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que a Turquia precisa tomar uma atitude com relação às preocupações sobre um retrocesso nos direitos humanos e em suas tradições seculares, criticando um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) cujo apoio é crucial para o governo norte-americano alcançar suas metas no Oriente Médio.

AE, Agência Estado

16 de julho de 2011 | 12h04

Falando educadamente mas também duramente sobre o país muçulmano moderado, Clinton disse que as recentes prisões de dezenas de jornalistas e limites impostos à liberdade religiosa são inconsistentes com o progresso econômico e político da Turquia. Clinton afirmou que o país precisa se comprometer novamente com o curso da modernização e abraçar as instituições democráticas. Fazendo isso, a Turquia poderá servir como modelo para as nações árabes que estão sofrendo com revoltas ou processos de transição política.

"Em toda a região, pessoas no Oriente Médio e no Norte da África estão buscando tirar lições da experiência da Turquia", afirmou Clinton em uma entrevista à imprensa concedida junto com o ministro de Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu. "A história da Turquia serve como lembrete de que o desenvolvimento democrático também depende de uma liderança responsável", acrescentou.

Clinton pediu que o povo turco use o processo de reforma constitucional para "solucionar preocupações (...) com recentes restrições à liberdade de expressão e religião" e aumentar a proteção dos direitos das minorias. Essas preocupações têm dificultado a tentativa da Turquia de entrar para a União Europeia e fortalecer seus laços com o Ocidente.

Grupos da imprensa turca afirmam que mais de 60 jornalistas estão presos, enquanto a Organização para Segurança e Cooperação na Europa, da qual a Turquia é membro, diz que há 57 jornalistas na prisão. Em abril, o governo reconhecia a prisão de 26 jornalistas, porém em razão de atividades não ligadas ao jornalismo.

Os comentários de Clinton provavelmente vão encorajar mais turcos liberais, mas vão irritar os líderes do país, como Davutoglu e o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. As informações são da Associated Press.

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