Hillary defende Brasil como mediador na Síria

Secretária de Estado, que se reuniu com Patriota, diz que País é interlocutor importante para solucionar conflito

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2012 | 03h04

Um ano depois de o Brasil ter optado por se abster no Conselho de Segurança da ONU em votação de resolução condenando o regime de Bashar Assad, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse ontem durante encontro com o chanceler Antonio Patriota que o País é um interlocutor importante para resolver o conflito na Síria.

"O Brasil é uma voz muito importante para tentar resolver a crise", disse a chefe da diplomacia americana, que pediu um "interlocutor crível representando toda a oposição, impedindo que extremistas sequestrem a revolução". Na Síria, cada vez mais, facções de cunho radical sunita (salafistas) ganham espaço em detrimento de grupos opositores seculares e pró-democracia.

Os dois lados defenderam o cessar-fogo, com o estabelecimento de um processo de paz para interromper a guerra civil na Síria. Hillary, porém, voltou a defender o envio de equipamentos não letais para a oposição.

"Estamos crescentemente apoiando a oposição síria por meio de treinamento e assistência não letal, incluindo o trabalho conjunto diretamente com os conselhos locais na Síria para que eles aprendam como melhor servir as pessoas em áreas que eles conquistaram do regime", disse Hillary.

Patriota, por sua vez, não se aprofundou na questão, pregando apenas o diálogo entre as partes. O chanceler brasileiro, que voltou do Oriente Médio há alguns dias, defendeu uma forte "mobilização diplomática para encontrar uma solução negociada para a Síria", além de ressaltar a importância de países do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) no processo.

Segundo a chefe da diplomacia americana, uma força multilateral teria sido discutida com Patriota, mas não ficou claro se o Brasil estaria entre os países com os quais os EUA trabalham.

Crise. Na comunidade internacional, existe um temor de que cristãos e alauitas, normalmente associados a Assad (ele próprio um muçulmano alauita), sejam alvo de retaliações caso o regime seja deposto. O Brasil, nesse caso, tem importância por ter, ao lado da Argentina, uma das maiores diásporas sírias no mundo.

No encontro, os dois também debateram questões bilaterais, como o Ciência Sem Fronteiras e questões sobre visto. Patriota ressaltou o comércio entre ambos os países e, assim como Hillary, tentou deixar claro que as relações entre Brasil e EUA estariam indo muito bem.

Neste ano, houve uma certa decepção no Itamaraty com a ausência do presidente Barack Obama da cúpula Rio+20 e com o status menor concedido à visita de Dilma Rousseff a Washington. Desde 2010, os dois países se posicionaram em lados distintos na questão nuclear iraniana, no reconhecimento da Palestina como Estado, na intervenção da Otan na Líbia e no tratamento da crise síria.

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