Hillary defende união entre democratas para derrotar McCain

Senadora diz em discurso na Convenção Democrata que seus partidários devem apoiar Obama por um futuro melhor

Patrícia Campos Mello, DENVER, EUA, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2008 | 00h00

"De jeito nenhum, McCain não. Barack Obama é meu candidato. E ele precisa ser nosso presidente." Foi com essas palavras que a senadora Hillary Clinton demonstrou, de forma inequívoca, seu apoio ao antigo rival e atual candidato democrata Barack Obama. Foi um discurso enérgico para dissipar as dúvidas de grande parte de seus partidários, que resistem a votar em Obama. "Não importa se você votou em mim ou em Barack, agora é a hora de se unir como um único partido. Nós estamos no mesmo time", disse. Acompanhe online as notícias da eleição nos EUAO apoio entusiástico a Obama tira um peso das costas de Hillary - a acusação de que ela teria feito corpo mole para pedir a seus eleitores que votassem no senador, e que isso pode custar aos democratas a eleição em novembro. Hillary teve recepção de superstar no segundo dia da Convenção Democrata, com direito a gritos de "Eu te amo Hillary" em meio a milhares de placas apoiando a senadora. Ela foi apresentada por sua filha, Chelsea Clinton, que a descreveu como sua "mãe e heroína", que "ajudou a fazer 18 milhões de rachaduras no telhado de vidro e abrir novas possibilidades para todos os americanos". Chelsea se referia aos 18 milhões de votos que Hillary recebeu na primária disputada com Obama. Hillary foi ovacionada ao subir no palanque do Pepsi Center. Com o ex-presidente e marido Bill Clinton sentado na platéia - ele não conteve a emoção e chorou quando Hillary começou a discursar -, a ex-candidata deixou claro que as disputas com Obama durante as prévias ficaram para trás. O mote do seu pronunciamento foi a necessidade de os democratas se unirem para derrotar John McCain . O público-alvo do discurso de Hillary são mulheres como Nancy Carter, de Las Vegas, uma das cerca de 200 pessoas protestando de manhã contra "injustiças" cometidas contra a senadora durante as primárias. É grande o desafio de conquistar os ressentidos eleitores de Hillary. "Os caucuses foram roubados. A campanha do Obama levou um monte de gente de outros lugares para votar, é um absurdo", disse Nancy. Ela vai votar no republicano John McCain. "Quero que Hillary concorra à presidência em 2004. Não quero que ?aquele homem? ganhe e talvez fique por dois mandatos", disse Nancy, segurando sua placa de "Hillary para presidente". APELONas barraquinhas, há bonecos tanto de Hillary como de Obama. "Achamos que ela iria ser escolhida vice-presidente", explica Patricia Nima, uma assistente social de Atlanta que veio para Denver vender suvenires.Segundo o levantamento do The Wall Street Journal, 52% desses eleitores afirmam que irão votar em Obama, enquanto 21% declaram voto em McCain e 27% se dizem indecisos ou em estarão seguindo cada palavra do discurso de Hillary busca de um terceiro candidato.Hillary bateu forte no republicano. "John McCain é meu colega e meu amigo e serviu o país com honra e coragem. Mas nós não precisamos de mais quatro anos iguais aos últimos oito anos. Mais estagnação econômica, altos preços de gasolina, mais guerra e menos diplomacia", disse. "John McCain diz que a economia está sadia. John McCain não acha que ter 47 milhões de pessoas sem assistência médica é uma crise. John McCain quer privatizar a seguridade social. Com uma agenda como esta, faz todo sentido que John McCain e George W. Bush estejam juntos nas cidade gêmeas na próxima semana, porque está muito difícil de diferenciá-los" (cidades gêmeas é o apelido de Minneapolis e St Paul, onde se realiza a convenção republicana na semana que vem).Hillary citou Clinton - que muitos dizem estar ressentido com a falta de reconhecimento de seus feitos pela campanha Obama - em seu discurso. "Quando Barack Obama estiver na Casa Branca, ele vai revitalizar nossa economia. E eu me lembro, o presidente Clinton e os democratas já fizeram isso antes."Como forma de apaziguar eleitores ressentidos de Hillary, a campanha de Obama concordou em incluir o nome da senadora na votação de hoje à noite, quando os delegados oficializam a indicação. Será parte da "catarse" que a senadora disse que seria necessária para promover a paz entre seus eleitores. Segundo acordo sendo costurado pelos dois times, Hillary receberá os votos de seus delegados (que ela espera serem pelo menos 1.000) e pedirá a eles que passem seus votos para Obama, para que o senador leve a indicação por unanimidade.FRASESHillary ClintonSenadora por NY"Seja os que votaram em mim ou em Obama, chegou a hora de se unir como um único partido e com um único objetivo"Pam DurhamPartidária de Hillary "Queremos um processo democrático e justo. Ela (Hillary) foi vítima de roubalheira nas primárias e sexismo da mídia"Nancy PelosiPresidente da Câmara dos Deputados"Os republicanos dizem que McCain tem experiência. Digo que ele tem experiência de estar errado ao apoiar a política fracassada de Bush"Evan BayhSenador por Indiana"É claro que estou decepcionado (por não ser vice), mas estou mais decepcionado com os milhares de desempregados por causa da política falida deste governo"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.