Hillary deixa a China sem levar ativista cego

Chen, no entanto, disse ao 'Estado' que está 'contente' com possibilidade de estudar nos EUA

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2012 | 03h04

O ativista cego Chen Guangcheng disse ontem em rápida conversa telefônica com o Estado que ainda não havia sido informado oficialmente sobre a possibilidade de estudar no exterior, mas disse estar "contente" com a opção.

"Eu só soube quando meus amigos me disseram", afirmou, em referência ao novo acordo sobre seu destino que começou a se desenhar na sexta-feira.

Hillary Clinton deixou a China na tarde de ontem, sem ter se encontrado com Chen, mas ambos falaram por telefone na quarta-feira, quando ele deixou a Embaixada dos Estados Unidos em Pequim depois de permanecer seis dias no local. O ativista havia declarado na quinta-feira que gostaria de deixar o país no avião da secretária de Estado americana.

Na tarde de sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China disse que Chen poderia se candidatar a estudar no exterior como "qualquer outro cidadão" do país. O ativista tem uma carta convite para a New York University, onde seu amigo Jerome Cohen é professor.

Chen ressaltou que sua intenção não é pedir asilo político nos Estados Unidos, mas ir ao país temporariamente e retornar à China. O ativista continuava ontem internado no hospital Chaoyang, em Pequim, acompanhado de sua mulher, Yuan Weijing, e seus dois filhos.

O ativista e sua família precisam de passaportes para viajar e, em tese, o documento teria que ser emitido pelas autoridades de Shandong, onde está o registro de residência de todos eles. Depois disso, devem obter o visto para os Estados Unidos, que os norte-americanos prometeram conceder rapidamente.

Se Chen conseguir sair e voltar livremente à China, isso representará um novo "modelo" na situação dos dissidentes chineses. A maioria enfrenta restrições em sua liberdade de locomoção e com frequência tem seus passaportes negados ou confiscados. Os que saem, quase nunca conseguem retornar à China.

Estudantes que lideraram os protestos pró-democracia na praça Tiananmen em 1989 fugiram para os EUA e até hoje não conseguiram autorização nem mesmo para visitar a China. O astrofísico Fang Lizhi, que ficou 13 meses refugiado na Embaixada dos EUA em Pequim logo depois das manifestações também nunca voltou e morreu em solo americano há um mês.

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