Hillary descarta retirar bombas nucleares da Europa

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, descartou hoje retirar antecipadamente os mísseis nucleares dos Estados Unidos da Europa. Durante um encontro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Hillary afirmou que qualquer redução nos arsenais europeus precisará ter uma contrapartida em reduções dos arsenais nucleares da Rússia apontados para a Europa. Segundo ela, a Rússia tem mais mísseis apontados para alvos europeus. Nenhuma negociação desse tipo com a Rússia está prevista e Moscou tem mostrado pouco interesse, até agora, em negociar suas armas táticas.

AE-AP, Agência Estado

22 de abril de 2010 | 17h40

"Nosso objetivo deveria ser buscar um acordo com a Rússia para aumentar a transparência a respeito das armas nucleares não estratégicas na Europa, para que esses arsenais sejam realocados para fora dos territórios dos membros da Otan", disse.

Hillary Clinton também afirmou esperar que a Otan aceite um sistema de defesa antibalístico na Europa, como parte de um esforço mais amplo para combater os perigos colocados pelas armas nucleares, químicas e biológicas. Ela disse que armas nucleares e mísseis de defesa são sistema completares numa maneira de deter ataques contra os EUA e seus parceiros na Aliança Atlântica.

Pouco antes de Hillary falar, o secretário-geral da Otan, general Anders Fogh Rasmussen, disse em entrevista à imprensa que, na sua visão, as armas nucleares dos EUA têm um papel vital na defesa da Europa e não deverão ser removidas, uma vez que outros países têm armas nucleares. "Eu acredito que a presença das armas nucleares americanas na Europa são uma parte essencial de um sistema eficaz de prevenção de atos hostis", disse Fogh Rasmussen.

Alguns membros europeus da Otan, entre eles a Alemanha, têm dito que chegou a hora dos EUA retirarem seus arsenais nucleares remanescentes da Guerra Fria que ainda estão na Europa. Ele citam o compromisso do presidente dos EUA, Barack Obama, feito em Praga, de tornar o mundo livre de armas nucleares. Por outro lado, outros integrantes da Otan (quase todos países do Leste Europeu, que na era socialista fizeram parte do Pacto de Varsóvia) são contrários a essa retirada. Ele afirmam que a presença das armas americanas é uma garantia de integridade territorial.

Armazém nuclear

Atualmente, as armas nucleares dos EUA na Europa estão armazenas em bases de cinco países. De acordo com informações de bastidores, os EUA possuam na Europa 200 bombas atômicas, as quais poderiam, em caso de guerra, ser carregadas rapidamente em bombardeios. Países que formavam a União Soviética e que possuíam armas nucleares, como Bielo-Rússia, Ucrânia e Casaquistão, aderiram em meados da década de 1990 ao Tratado de Não Proliferação Nuclear e entregaram as bombas atômicas de volta a Moscou.

Esse arsenal europeu dos EUA, bem como o arsenal russo apontado contra a Europa, não são considerados estratégicos pelas duas potências. O novo tratado nuclear entre EUA e Rússia, para reduzir os mísseis balísticos intercontinentais, substituindo o Tratado de Redução de Armas Estratégicas de 1991 (Start, na sigla em inglês), não inclui os arsenais na Europa, embora Obama tenha manifestado a esperança de que os dois países cheguem a uma acordo mais abrangente para reduzir todas as armas nucleares.

O governo americano não confirma a localização das armas nucleares na Europa, mas fontes indicam que os arsenais ficam em bases na Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália e Turquia. Os EUA possuem arsenais nucleares na Europa desde a década de 1950.

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