Hillary desperta amor e ódio nos EUA

Candidata democrata tem eleitores fiéis, mas são inúmeros seus detratores, que não a elegeriam ?de jeito nenhum?

Patrícia Campos Mello, correspondente, Washington, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

O senador republicano John McCain foi surpreendido, na semana passada, pela agressividade de uma de suas eleitoras, durante um comício na Carolina do Sul: "Senador, como nós podemos ganhar daquela ?cadela??", disparou a mulher, referindo-se à candidata democrata Hillary Clinton. É esse tipo de reação exaltada que a senadora Hillary, líder nas pesquisas de opinião na disputa pela Casa Branca (47% das intenções de voto contra 43% do republicano Rody Giuliani) desperta entre os eleitores americanos. De um lado, ela tem um séquito de eleitores fiéis, quase fanáticos. Mas seus inúmeros detratores a odeiam com o mesmo fervor e não elegeriam Hillary "de jeito nenhum". Segundo uma pesquisa realizada pela Zogby International no mês passado, 50% dos eleitores disseram que "jamais" votariam em Hillary. É o maior índice de rejeição entre os candidatos - supera até o radical Dennis Kucinich, que adora falar sobre seus encontros com discos voadores. E a resistência à sua candidatura vem crescendo - era de 46% em março e saltou em outubro para os atuais 50%. Só para comparar, o candidato que está em segundo lugar entre os democratas, Barack Obama, tem um índice de rejeição de apenas 37%. O sentimento anti-Hillary é maior entre idosos (59,2% dos eleitores com mais de 65 anos não votariam nela), evangélicos (75,1%), homens (56,4%) e ultraconservadores (88,2%). Feminista radical, manipuladora, dissimulada, esquerdista - esses são alguns dos impropérios lançados contra a candidata. "Hillary chega na campanha com mais obstáculos para superar do que qualquer outro candidato na história - ela é muito conhecida e as pessoas têm idéias sólidas formadas sobre ela", disse ao Estado Peverill Squire, professor de Ciências Políticas da Universidade de Missouri. "Mas dizer que ela não consegue vencer a eleição por ser polarizadora, por ter uma enorme rejeição, é um exagero." Para dissipar os sentimentos anti-Hillary mais extremados, a candidata vem migrando gradualmente para o centro e tenta mostrar-se moderada na maioria das questões. Mas no afã de não desagradar a ninguém, Hillary acabou errando a mão. Ela exagerou no estilo "eu até seria a favor, se não fosse contra, mas ainda não me posicionei". No penúltimo debate democrata, ao ser questionada se apoiava a proposta do governador de Nova York de conceder carteira de motorista para imigrantes ilegais, Hillary falou, falou e não respondeu. Confrontada por um de seus rivais democratas, ela negou que tivesse manifestado apoio à proposta em entrevista a um jornal. "Eu não disse que deveria ser feito, mas eu certamente reconheço que o governador Spitzer está tentando fazer", tegiversou. Os adversários não perdoaram. "A não ser que eu tenha entendido mal, a senadora Clinton disse duas coisas opostas nos últimos dois minutos", disse Edwards. NÚMEROS50% dos eleitores?jamais? votariam em Hillary, indica pesquisa da Zogby46% era a rejeição de Hillary em março37% dos eleitoresrejeitam Barack Obama, que está em segundo entre os democratas

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