Hillary discorda que corrida por vaga democrata tenha acabado

Alguém se esqueceu de contar paraHillary Clinton que a corrida pela indicação do PartidoDemocrata para disputar as eleições presidenciais dos EstadosUnidos acabou e Barack Obama chegou em primeiro lugar. Obama venceu em mais Estados, conquistou mais votos eobteve mais delegados eleitos para a convenção da legenda queajudará a decidir qual será o candidato democrata a enfrentar osenador John McCain, do Partido Republicano, na eleiçãopresidencial, em novembro. Mas Hillary, senadora pelo Estado de Nova York que jápassou perto da derrota na batalha com Obama outras vezes,rechaça as previsões negativas e ainda vê uma pequena chance desair da disputa vitoriosa. "Ouço isso da boca de algumas pessoas", afirmou Hillary, emum bate-papo sobre se deveria desistir de sua pré-candidatura epermitir ao Partido Democrata concentrar-se na disputa denovembro. "No entanto, a coisa mais comum que as pessoas me dizem é:'Não desista, continue lutando. Estamos com você'. E eu mesinto muito bem com isso porque pretendo persistir nessecaminho", disse a senadora a repórteres na terça-feira. Hillary, porém, não ouviu essas declarações encorajadorasde comentaristas dos meios de comunicação ou de simpatizantesde Obama, que se perguntam por que a pré-candidata insiste nabatalha quase impossível para suplantar seu adversário, senadorpelo Estado de Illinois. O jornal Politico afirmou que Hillary "não possuipraticamente nenhuma chance de vencer". Um colunista do NewYork Times classificou a campanha dela de uma "audácia da faltade esperança" -- trocadilho com o livro de Obama "The Audacityof Hope" (a audácia da esperança). O governador do Novo México, Bill Richardson, disse serhora de os democratas unirem-se ao redor de Obama. A senadora e seus assessores de campanha trabalham duropara afastar a idéia de que a corrida chegou ao final, dandoentrevistas diárias para defender a viabilidade dapré-candidatura dela e divulgando longos boletins para rebatero "mito" de que Hillary não pode vencer. A ex-primeira-dama, porém, precisa de toda a ajuda quepuder conseguir nos próximos meses. A pré-candidata sofreu um revés neste mês, ao verrechaçados seus esforços para que se repetissem as prévias noMichigan e na Flórida. As vitórias dela nesses Estados nãovaleram porque não foram sancionadas pela diretiva nacional dopartido. SUPERDELEGADOS A vitória de Hillary na convenção democrata, da qual sairáo candidato da legenda, baseia-se, de toda forma, no apoio dequase 800 superdelegados -- autoridades e membros do partidoque têm a liberdade de votar no pré-candidato que desejarem (aocontrário dos delegados eleitos nas prévias realizadas em cadaEstado). Com dez prévias para concluir a corrida pela candidaturademocrata, Hillary está mais de cem delegados eleitos atrás deObama e possui poucas chances de reverter esse quadro. Nenhum dos dois pré-candidatos, porém, encontra-se perto deconquistar os 2.024 delegados necessários para vencer asprévias -- o que faz dos superdelegados o fiel da balança. Os dois tentam cortejá-los a todo custo. E Obama afirmouque os superdelegados deveriam seguir a vontade dos eleitoresdemocratas. Hillary diz ter a melhor chance de vencer McCain naseleições de novembro. A fim de convencer alguém com esse argumento, apré-candidata precisa ao menos diminuir sua distância emrelação a Obama conquistando vitórias folgadas nas préviasainda restantes, a começar pela da Pensilvânia, em 22 de abril. "O comitê de campanha de Obama tenta convencer todo mundode que isso acabou. Espero que eles não coloquem suas mãos noOrçamento federal porque, com certeza, não sabem fazer contas",afirmou Harold Ickes, assessor de Hillary. "Acreditamos que os dois estarão muito próximos quando oúltimo Estado votar. No final do processo, nenhum deles teráconseguido assegurar sua vitória e os superdelegadosdecidirão," afirmou. É razoável afirmar que, quanto mais Hillary insistir,maiores as chances de Obama cometer um deslize capaz dereverter o jogo. A pré-candidata já deixou claro que nãodesistirá da disputa antes de todos os Estados terem votado. Quando esse dia chegar, assim esperam os democratas, o nomedo vencedor já estará decidido, evitando que a disputaprolongue-se até a convenção de agosto, em Denver.

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